Reaberto em 2015, com a mesma Gerência

sábado, 16 de junho de 2007

Procissão de fé!


É um roteiro algo diferente daquilo a que estão habituados. Mais introspectivo, propício a momentos de meditação, ao encontro do Eu interior. Aproveitando as sugestões anteriores do Pedro, num daqueles fins-de-semana solarengos que devem estar prestes a aparecer, depois das visitas às praias enunciadas, deixe-se tentar. A pouco mais de um quilómetro da vila de Vagos, a cerca de oito da cidade de Aveiro e a uma dezena das praias que banham os concelhos de Vagos e Ílhavo, situa-se o Santuário da Nossa Senhora de Vagos. É um local aprazível, com laivos de paisagens campestres, convidativo à oração para todos aqueles que crêem na existência d’ELE.


A ermida da Nossa Senhora de Vagos apresenta-se cheia de história e tradição. Aliás, é difícil, nos dias de hoje, destrinçar onde começa a história e onde termina a lenda. Numa daquelas contadas à lareira, passando de geração em geração, até chegar aos dias de hoje, diz que perto da praia da Vagueira (e havemos de lá ir, um dia destes), naufragou um navio francês, dentro do qual existiria uma imagem de Nossa Senhora. Num esforço hercúleo, os homens rudes que compunham a tripulação, conseguiram salvar a imagem, escondendo-a nuns arbustos, junto ao areal. Os sobreviventes da desdita, dirigiram-se então a Esgueira, freguesia mais próxima na época, contando o sucedido ao Pároco. Este, acompanhado por inúmeros fiéis, procuraram proceder ao resgate da imagem, nada tendo encontrado. A partir daqui as narrativas divergem. Dizem uns que Nossa Senhora apareceu a um lavrador, indicando-lhe o sítio onde se encontrava. Este aprestou-se a construir aí uma Ermida, que perdura até hoje. Outros defendem a tese de que Nossa Senhora apareceu em sonhos a D.Sancho que, saindo de Viseu, onde se encontrava na altura, dirigiu-se ao local onde a imagem se encontrava, tendo aí erguido uma capela.

A devoção a Nossa Senhora de Vagos cresceu exponencialmente, à medida da atribuição de vários milagres. Um dos mais conhecidos, com repercussões nos dias de hoje, diz respeito a Cantanhede, que nos dias de então, sofria a miséria e a fome, resultado de uma seca de 4 anos, que tornava os campos improdutivos. Desesperados, os seus habitantes, numa derradeira tentativa, dirigiram-se em procissão à Senhora da Varziela, orando e elevando preces aos céus. Ouviram então um sino que tocava, para os lados do Mar de Vagos. Dirigindo-se para o local, rezaram na Ermida. A chuva, como que por milagre, derramou-se sobre as terras, pondo fim à seca brutal. (Moral da história: Senhora da Varziela – 0/Nossa Senhora de Vagos – 10. Goleada das antigas).
Desde então, as gentes de Cantanhede deslocam-se a Vagos em peregrinação (já tentamos de tudo, mas não nos livramos deles:)). Ainda hoje se realiza, anualmente, essa enorme manifestação de fé.

E, como diz Paulo Coelho, no seu O Diário de um Mago, "todos os caminhos são mágicos, se nos levam aos nossos sonhos".

9 comentários:

Ana Sofia disse...

É mesmo um percurso diferente, mas igualmente interessante. E é disto que eu gosto. Desta variedade de destinos, para todos os bolsos e gostos, que vocês aqui apresentam. Achei deliciosa a transcrição da lenda. Venham mais dessas paragens...

Manuela Pestana disse...

Belo roteiro, Paulo. Um caminho de fé e absolvição para os penitentes:)
Belo exemplar de arte sacra. E para quando um roteiro na Madeira?
Tou à espera:)

Paulo Pereira disse...

Olá Manuela, por acaso até temos a Madeira para ser editada num dos próximos artigos. Mas, já agora, lanço-lhe um repto: e que tal a Manuela ser a primeira a estrear-se aqui, no nosso blog, com um artigo sobre essa Ilha fantástica? Fotografias tem, pois já a conhecemos do Olhares, agora era só escrever umas linhas...

Pense nisso

Paulo Ferreira disse...

Belo passeio, que eu já comprovei. Andei por essas paragens há uns anitos, e posso dizer que foi gratificante ler o artigo. Relembrei pormenores, visitei um lugar onde já estive. Esse Santuário transmite uma enorme paz, e isto não é daquelas coisas ocas que se dizem. É mesmo verdade. Um local tranquilo, onde impera o silêncio.
Parabéns pelo artigo. Pelo que vejo, és aí da zona. Conhecem a Praia de Mira e da Vagueira?

Madalena Brandão disse...

Desconhecia a existencia deste Santuário, com uma lenda/mito/realidade interessante. Fiquei também a saber que a Srª de Vagos derrotou a sua congénere da Varziela, num derby santo:)
Só vocês, mesmo...lol

Armando Gil disse...

Só falta mesmo uma das procissões. Excelente artigo, bem informativo. Quem sabe, um dia destes, não passo por aí?
Essa citação do Paulo Coelho está simplesmente espantosa.

Carlos Sarabando disse...

Os caminhos da fé, que servem de consolo a muito boa gente, nestes tempos de dificuldades sociais e económicas. Gostei de ler, num percurso alternativo, que pode ser conjugado com as férias de Verão, com o mar ali tão perto. E porque não?

Ana Melrinho disse...

Já esta apontada na minha agenda, na parte de futuros passeios. Já estive em Aveiro e adorei a cidade, pena que não tive oportunidade de conhecer o resto da zona, incluindo as praias e esses arredores. Fica para uma próxima vez.

Bom fdsemana

Maria Rosario disse...

Avé Maria, cheia de graça, etc, etc, etc. Mais um excelente artigo, numa rota diferente, comprovando que nessa zona nem só de praia se vivenas férias ou fins de semana.

Bjos,