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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Ás voltas pela Europa - A Viagem V

Desde Praga até Auschwitz...

A viagem fez-se num comboio velho, bastante velho... as condições podiam ser boas, mas não eram! Dormi no chão da cabine dos nossos lugares, e os meus outros companheiros no conjunto de 3 bancos seguidos! Algum barulho, bastante abafado e algum controlo fronteiriço a interromper a dormida. Chegados a fronteira da Republica Checa e da Polónia há que fazer transbordo para o comboio que ia para Varsóvia. A saída era por volta das 7h em Oswiecim. E la estávamos nos na Polónia ao nascer do sol. Confesso que este foi um dos lugares que mais esperava estar nesta viagem. Sabíamos que o campo de concentração de Auschwitz apenas abria ao publico as 9h! Ficamos na estação a dormir hora e meia, no chão, no canto... Ninguém fala inglês fluido, e todos respondem em polaco. Entre nos e uns amigos alemães, que fizeram a viagem no mesmo comboio com o mesmo objectivo, lá conseguimos descobrir onde era o campo de concentração. Ainda andamos uns bons 2km desde a estação. O ambiente mesmo antes de se avistar o campo de concentração era já de algum desconforto, pois na nossa mente pairavam idealizações dos antepassados naquelas mesmas ruas. Os prédios velhos em tijolo, as casas desabitadas talvez fossem sinonimo de uma vergonha que os polacos ainda hoje levam consigo nos seus dias. Avistada alguma segurança reforçada, quer nos arames farpados quer nos oficiais as portas, percebemos que Auschwitz estava perante os nossos olhos.

Foto tirada na entrada do Campo de Concentração de Auschiwtz

Á entrada aparecia um edifício velho, de certa forma estragado, com algumas zonas escuras a serem confundidas com os tijolos a vista! Entramos numa de descoberta e eis que nos deparamos desde logo com os fornos onde os militares nazis queimavam os corpos dos judeus... foi um misto de emoções: ora sorri porque tinha ali a oportunidade de fotografar parte da historia mundial, ora apetecia chorar pois estava num local onde se respirava silencio em memoria de muitas pessoas que sofreram e ali passaram os seus últimos instantes de vida. Apetecia sair, mas apetecia ficar.

Foto tirada na sala dos Fornos onde queimavam os Judeus

Estava um céu com nuvens cinzentas, o que dava ainda mais um ar dramático ao momento. Dirigimos-nos ao posto de vendas e informações aos turistas. Uma boa noticia (que gostava eu de ver igual em Portugal): 10€ de entrada com guia, pois sem guia era... grátis! Sendo que o guia era em inglês, optamos por poupar dinheiro e ir sem guia. Em frente ao mítico portão principal do campo de concentração, respiramos fundo e sentimos nos preparados para o que pudemos enfrentar: uma historia real mas medonha ao mesmo tempo! Percorremos os primeiros blocos de tijolo, ao lado da erva verdejante que nascia sem autorização nos passadiços em volta dos blocos, ate encontramos os primeiros blocos onde era permitida a entrada a visitantes.

Foto tirada no interior do Campo de Concentraçao, ao bloco 24.

Os blocos foram alvo de reconstrução sendo que protegeram alguns bens dos anos do genocídio. Os blocos não são mais que corredores imensos em linha recta, decorados com fotos de rosto de cada judeu que esteve no campo entre 1942 e 1945, com "portas vidradas" de onde apenas conseguíamos espreitar e perceber como eram as condições na altura. Não sei ao certo o numero de blocos existentes em todo o campo, mas aposto que visitamos mais de 50% deles (entramos em todos os turistas podiam entrar). Cada bloco contava uma historia, ou falava de uma necessidade, ou de uma faixa etária, ou de momentos diversos passados. Difícil era ouvir alguém falar, apenas sussurrar. Parecia que se ouvia o pensamento das pessoas, entre mesmo lágrimas de algumas pessoas que se apresentavam ali mais sensíveis. Realmente era caso disso, visto os blocos terem todos os pertences dos judeus protegidos e em exposição, desde os óculos, escovas, malas, sapatos, roupas, alguidares, documentos importantes, fotografias e até mesmo... cabelo verdadeiro dos judeus.

Foto tirada aos sapatos que pertenciam aos Judeus

Não querendo entrar em pormenores, houve momentos que marcavam quem olhava, quem pensava, quem imaginava o sofrimento pelo qual algumas pessoas teriam passado. Parecia que estávamos dentro de um filme imaginado por alguém, onde o que realmente vemos perante os nossos olhos não existiu. Mas a verdade é que existiu, e estava ali retratado. Podia estar aqui a escrever um verdadeiro Lusíadas a contar a historia daqueles corredores, mas não me parece conveniente de todo, ate porque dava um post enorme e chato de se ler. Da parte de fora dos blocos destaco as memorias da "Parede da Morte", na qual os judeus eram alinhados de costas para os militares e mortos com tiros disparados sem dó nem piedade.


Foto tirada à "Parede da Morte" no Campo de Concentração


Conseguimos passar uma manhã inteira dentro do campo de concentração, e apenas vimos Auschwitz, ficando para uma outra oportunidade um outro campo a 3km: Bikernau. Não tive a noção mas penso que mais de uma hora foi dedicada a aquisição de fotografias nos exteriores dos blocos, entre arames farpados e guaritas dos guardas...

"Uma viagem para lembrar, de um sitio que o Mundo quer esquecer". Assim nos despedimos de Auschiwtz ao assinar o livro de visitas.

Almoçamos em Auschwitz, no único restaurante aberto a um Domingo. A moeda não é euros, pelo que temos que fazer contas a câmbios. O prato mais caro custa 6 euros. Optamos por esse mesmo prato, mais uma sopa que ainda hoje não quero saber do que era feita mas...era boa! Pagamos 8 euros e comemos o que de melhor havia no restaurante. =) De volta a estação, temos a informação que teremos que apanhar um regional para Katowice, de onde apanharemos comboio para Berlim. Chegamos a Katowice a meio da tarde e o comboio para Berlim era só ao inicio da noite. Foi neste espaço de tempo que ficamos a perceber que a Polonia se resumia a um pais velho, com pessoas antipaticas e com muito mau aspecto. A cidade tinha predios deabitados, excepto na avenida principal. Tentamos dar uma volta pelo centro mas a falta de confiança no que nos rodeava fez-nos procurar lugar seguro, e para isso bastou optar pelo pedido de um Big Tasty... e ficamos até as 20h no Macdonalds, entretidos com algumas conversas e brincadeiras. Ali estavamos seguros...

A hora marcada entramos no comboio que nos levou até Berlim...

Todas as fotografias podem ser vistas, juntamente com muitas outras que nao estao no texto, em www.flickr.com/lipezito

1 comentário:

Rafa disse...

Olá.

Parabéns pelo post, seguro de viagem é um ítem muito necessário para qualquer viagem, este post ajuda a entender melhor como ele funciona.
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