segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Aventuras de uma vida!
sábado, 10 de novembro de 2007
The City that never sleeps - Ep. 2
É estranha e arrepiante a sensação de deparar com todos os nomes inscritos e mensagens de dor, principalmente quando estamos no coração do mais competitivo bairro nova-iorquino. Pouco depois dos atentados foi colocada neste local uma rampa que permitia aos visitantes e uma visão do Ground Zero (expressão que significa "destruição total", utilizada pela primeira vez nos testes de explosões atómicas), ou seja, do imenso vazio deixado pela derrocada das Torres Gémeas. Mas esta plataforma gerou uma imensa controvérsia. Para alguns, era uma forma de homenagear as vítimas e não deixar esquecer o horror; para outros um incentivo à transformação do local num ponto de atracção turística e voyeurismo. E, de facto, ambos os pontos de vista são verdadeiros e pratica-mente impossíveis de evitar.
Se tiver curiosidade em saber o que mudou na cidade pergunte a um nova-iorquino. Quase invariavelmente, vão responder-lhe "nothing", com um encolher de ombros. Os primeiros tempos foram difíceis, mas a cada data que passou - um Thanksgiving, um Natal, um Fim de Ano - e nada mais aconteceu, as pessoas regressaram à sua vida normal e decidiram aceitar que tudo é vulnerável, até mesmo Nova Iorque. No máximo, dizem os optimistas, as pessoas deixaram de correr tanto, de pensar apenas em trabalho e tentam aproveitar mais o tempo, a vida, os amigos e a família.O mesmo pode e deve fazer, como turista. Programas alternativos não faltam. Embrenhe-se pela paleta de tons verdes e castanhos do Central Park ou atravesse a pé a Ponte de Brooklyn. Concluída em 1883, foi a maior ponte suspensa do mundo e a primeira em aço. A passagem para peões que se eleva acima do tabuleiro dos carros oferece uma vista deslumbrante, "um eficiente remédio para a alma", como dizia Walt Whitman. Do outro lado, existe uma nova cidade para descobrir. Originalmente, uma comunidade de imigrantes, Brooklyn é a nova coqueluche do momento e DUMBO (Down Under Manhattan Bridge Overpass) e BOBOCA (Boerum, Cobble Hill e Carrol Gardens), os bairros da moda. A mudança é uma das características da Big Apple. Aqui tudo muda e tudo pode acontecer. Não muito longe, na Brooklyn Bridge, no South Sea Port District, está prevista a construção de um novo Guggenheim, desenhado por Frank Gehry, semelhante ao edifício de Bilbao, mas em maiores proporções. Uma alteração radical da paisagem portuária, como foi, a mudança provisória, em Junho deste ano, de um dos mais célebres museus de Manhattan, o MOMA-Museum of Modern Art, para Queens. Sob alta segurança, desfilou pelas ruas da cidade uma colecção com 100 000 pinturas, desenhos, esculturas, gravuras e fotos, 14 000 filmes e 140 000 livros e jornais. Desenhado por Yoshio Taniguchi, o novo edifício tem inauguração prevista para 2005. Enquanto isso, em Queens, pode ver uma mostra dos 75 mais simbólicos e queridos trabalhos da colecção do MoMA, onde se destacam Les Demoiselles d'Avignon (1907) de Pablo Picasso, e Dance (1909), de Henri Matisse.
Sugerimos-lhe também que guarde um domingo para assistir a um coro de gospel numa igreja baptista do Harlem e Morningside Heights. Estes coros religiosos, de ritmo meio funk, meio soul e rtythm'n'blues tornaram-se a rampa de lançamento para a renovação destes bairros. A mudança, há cerca de um ano, de Bill Clinton para a rua 125, no antigo gueto negro de Manhattan, foi o indício mais evidente de que algo está a mudar. Há poucos anos, os taxistas recusavam-se a entrar em determinadas ruas. Hoje abrem aqui restaurantes com as melhores críticas, a renovação de hotéis particulares têm destaque em revistas de decoração e constroem-se condomínios de luxo. Quem sabe o que acontecerá amanhã?O último recenseamento confirma que, em dez anos, a imigração aumentou numa proporção inédita desde há um século: 30% dos habitantes nasceram no estrangeiro. Mais que nunca, a cidade é uma segunda Babel, onde se falam todas as línguas do mundo. Foram as pessoas, a diferença que fez de Nova Iorque o que é hoje. Por isso, nada como caminhar pelas ruas.
O melhor que a Big Apple tem para oferecer e o maior prazer que se pode sentir: o movimento das lojas, o frenesim das pessoas a passar, enquanto bebe um cappuccino sentado na montra de um café. A cada segundo que passa, uma história acontece. Alguém conseguiu um papel numa peça da Broadway, um emprego num restaurante, ou ganhou o primeiro milhão na bolsa.
1. Os pés sofrem em Nova Iorque. Convencemo-nos de que da 5ª avenida à 6ª é só um pulinho, de que as milhas são mais curtas que os quilómetros, quando na verdade as distâncias são impressionantes. Para percorrer e ver tudo, precisa de um skate ou de ser maratonista. Leve ténis e um daqueles banquinhos portáteis de levar a Fátima - se tiver coragem. No final do dia vai sentir que fez a via sacra e nem lhe vai apetecer sair à noite.
2. Os fumadores estão interditos na "grande maçã". Encontrar um sítio que não seja smoke free, em que acender um cigarro não seja um acto criminoso é uma missão (quase) impossível. Além disso, o voo de oito horas não ajuda quem não consiga ventilar os pulmões sem a ajuda do alcatrão. Nas ruas, pode dar largas ao vício mas, no Inverno, tirar as luvas para acender o cigarro deixa as mão congeladas e o isqueiro dificilmente acende nas esquinas ventosas. Fumar é também uma despesa acrescida: este é o estado onde se cobra o valor mais elevado dos Estados Unidos (3 vezes mais do que em Portugal). Se conseguir passar todas estas provações, ou se estiver inscrito num programa para deixar de fumar, Nova Iorque é o seu destino.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
The City that never sleeps - Ep.1
Mais vibrante que nunca, Nova Iorque está de volta. Recuperada do 11 de Setembro, aceitou a sua vulnerabilidade, mas não parou e continua frenética, a abraçar o mundo, reinventando-se a cada segundo...
Nova Iorque é fascinante, a mais fascinante de todas as cidades. Porquê? Não sei [mas podem perguntar ao sortudo do Pedro, que já lá foi], diria que é uma questão de paixão e que qualquer avaliação racional deste sentimento viria aqui a despropósito. Caótica, barulhenta e poluída, não tem a imponência aristocrática de Paris, a beleza, a cor e a história de Roma ou a geografia, o clima tropical e o ritmo descontraído do Rio de Janeiro. Também não tem grandes monumentos, nem edifícios seculares e não é propriamente acolhedora. E, no entanto, seduz e vicia os nossos passos, atraindo-nos para o seu interior. Talvez sejam as luzes que ofuscam, a energia electrizante que se vive nas suas ruas, o desenfreado apelo ao consumo, a rapidez com que tudo se passa, o turbilhão de gente, a sensação de poder, de potência, de que ali tudo pode acontecer. Tentadora, a "maçã" atrai, deixa-nos saboreá-la e depois agarra-nos para sempre. Mas não será esse o mistério e encanto de uma paixão?
No coração de Manhattan
Passado o primeiro impacto, a sensação é de déjà vu. Por onde quer que andemos, tudo nos parece familiar, os táxis amarelos, o fumo característico que sai das condutas do metro nos dias frios, os edifícios, as fardas dos polícias... O certo é que já os vimos, já conhecemos quase ao pormenor alguns dos bairros, das cores, dos hábitos e dos movimentos da cidade, tantos foram os filmes aqui rodados.Comecemos pelos lugares comuns. Nova Iorque está cheia deles. A Quinta Avenida, ou se preferir, Fifth Avenue é um deles. Muito pouco original como sugestão de passeio, mas absolutamente obrigatória para qualquer turista que se preze, é uma espécie de centro nevrálgico do consumo para ondeconvergem multidões de passagem, às compras ou simplesmente atraídas pela sumptuosidade e brilho das lojas. Foi aqui que o milionário William Henry Vanderbilt construiu a sua mansão em 1883, seguido por famílias poderosas como os Astor ou os Gould. E foi também aqui que casas como a Cartier e a lendária Tiffany, a Gucci, a Fendi, a Prada, os armazéns Sak's Fifth Avenue o chiquérrimo Bergdorf Goodman e as mais populares (e baratas) Banana Republic e Gap estabeleceram os seus quartéis generais. E porque símbolos do poder não faltam na principal das avenidas, vai deparar-se com a cintilante Trump Tower, mandada construir pelo magnata Donald Trump nos anos 80 e com o Hotel Plaza, também ele um ícone do luxo ostentador.
Outro dos grandes marcos da Quinta Avenida e um dos lugares mais visitados de Nova Iorque é
, sem dúvida, o Rockefeller Center. O primeiro complexo de edifícios do mundo a concentrar simultaneamente escritórios, lojas, restaurantes, entretenimento e jardins, foi construído entre 1931 e 1940 graças a John D. Rockefeller Jr. Hoje continua a merecer uma visita, especialmente em Dezembro, quando as iluminações de Natal são colocadas e o ringue de patinagem fica repleto de gente de todas as idades a deslizar ao som de músicas alusivas à época. Cenário mais turístico não há, mas este é um bom lugar para ir na primeira noite na cidade, é divertido e dá-nos a primeira picadela da serpente. Mal nos descuidamos, já estamos a trautear uma melodia e com vontade de patinar. É verdade, meus senhores, o "american way of life" contagia e depressa!
Estamos em Midtown, o centro de Manhattan, onde coabitam os mais importantes marcos da cidade e onde existe a maior concentração de diversidade arquitectónica única no mundo, com alguns dos arranha-céus mais inovadores e marcantes de todos os tempos. É impossível ignorar o edifício Chrysler, uma torre, também ela, art déco de aço inoxidável ornada com tampas de radiador, volantes, automóveis e gárgulas inspiradas num capot, construída para ser a sede, precisamente, da Chrysler; ou, um pouco mais a sul, o Empire State Building, o arranha-céus mais famoso de Nova Iorque (e do mundo) e que recentemente (após os atentados ao WTC) recuperou o título de mais alto. Acredite, vale a pena ganhar coragem, não perder a paciência nas filas, e subir até ao terraço de observação no 86.º andar onde Cary Grant esperou por Deborah Kerr em Affair to Remember. Outro dos locais de visita obrigatória para amantes de arquitectura e nostalgia cinematográfica é a Grand Central Terminal, a célebre estação de comboios que foi cenário de um beijo entre o fugitivo Gregory Peck e Ingrid Bergman no Spellbound de Hitchcock e onde, catorze anos depois, o mesmo mestre do suspense filmou North by Northwest. Inaugurada em 1913, a Grand Central foi projectada pela dupla de arquitectos Warren & Wetmore e transformou-se numa referência, porta de entrada e saída na cidade, recebendo diariamente um milhão e meio de pessoas. Até há bem pouco tempo escondida pela poluição, com o seu recente restauro - levado a cabo pela Beyer Blinder Belle, empresa responsável pela obra no museu de Ellis Island -, a Grand Central e o seu salão de tecto abobadado e grandes escadarias de mármore inspiradas nas da Ópera de Paris, recuperaram o seu esplendor neoclássico ao máximo.
Depois, aterre de olhos fechados em Times Square. Quando os abrir, vai acreditar estar dentro do Blade Runner, vai olhar para todos os lados e, entre a multidão que passa, o seu olhar vai dirigir-se para cima, em direcção às luzes e aos cartazes coloridos da Broadway. Vai parecer mesmo um turista recém-chegado tal a sua expressão de espanto, mas também pouco importa porque é impossível ficar indifente ao espectáculo e ninguém vai reparar em si. Edifícios altíssimos, cartazes e néons que iluminam a noite escura, várias músicas de fundo, um cowboy sem roupa, mas de guitarra em punho, um baterista à procura do sucesso, uma sirene pelo meio... Compre a Time Out, decida-se por um musical ou prossiga o seu caminho, a dançar...
Histórias da Village
Logo depois do Empire State e seguindo até Madison Square, damos de caras com o Flatiron
Building, um dos mais fantásticos prédios nova-iorquinos. Construído em 1902, inaugurou a moda dos arranha-céus e tornou-se polémico porque todos achavam que iria ser derrubado pelas correntes de vento provocadas pela a sua original forma triangular. Marca a entrada no Gramercy e Flatiron District. A Union Square, onde Andy Warhol tinha a sua "Fábrica", fica logo ali ao lado, recebe um animado mercado semanal, com venda de fruta e legumes, e tem vindo a transformar-se num dos novos locais da moda, em parte graças à abertura do novo W Hotel. Entramos em Greenwich Village, que os nova-iorquinos há muito baptizaram apenas de "Village". Aqui começa uma outra Manhattan, com uma arquitectura muito própria, de prédios baixos, praças e pátios arborizados, mais acolhedora, descontraída e boémia, mas não menos vibrante.
Ocupando a área envolvente entre a rua 14 e a Houston Street, a Village original fica na zona West e possui a aparência de bairro residencial, com prédios de tijolo vermelho, ruas ladeadas de árvores, pequenos jardins, muito cuidados, uma autêntica vila dentro da grande metrópole. Do lado oposto, East Village roubou-lhe o título de bairro fashionable, ex-perimental e eclético. Inicialmente habitada por irlandeses, polacos, ucranianos e porto-riquenhos, tem sido também albergue de escritores, actores e músicos independentes, o mesmo é dizer alternativos e fora do sistema. Aqui cresceu a cultura punk e surgiram teatros e galerias que privilegiam a arte experimental. Mais a leste, a Alphabet City, assim baptizada porque as ruas têm o nome das primeiras letras do alfabeto foi a última área decadente a ser revitalizada. O que noutras cidades é underground faz parte do quotidiano deste bairro, onde cyber-punks, drag queens, body-piercing e dealers convivem com estudantes, publicitários e modelos. Ficam aqui alguns dos bares e restaurantes mais disputados de Nova Iorque, clubes e discotecas com moradas secretas, onde apenas entram os ultra cool e se vendem todas as substâncias e todos os devaneios que possa imaginar...Chelsea, para onde fugiram as galerias de arte mais importantes após a invasão burguesa do SoHo, é outro dos bairros trendy de NY. Pelas ruas 20 e 26, entre a 10.ª e a 11.ª avenida, vive uma comunidade criativa que tem como cabeça de cartaz o Dia Center for the Arts (548 West 22nd St.), um centro (alojado desde 1981 numa fábrica desactivada) onde expõem os nomes mais famosos e promissores das artes plásticas contemporâneas.
A boa vida do SoHo
Há muito que deixou de ser um bairro vanguardista, mas o SoHo - um acrónimo de South of Houston -, a sul de Greenwich Village, é uma espécie de sonho americano concretizado. Uma velha e decadente zona fabril, estava para ser demolida na década de 60, quando alguns visionários lutaram pela preservação da singular arquitectura industrial dos seus edifícios, cujas escadas de incêndio são verdadeiras esculturas de ferro forjado. Abandonado o plano inicial, durante os anos 70, artistas ocuparam os imensos lofts (grandes espaços sem paredes internas), transformando-os em ateliers. Uma animada cena artística, com galerias, lojas, restaurantes e cafés ocuparam o local e, num ápice, o SoHo transformou-se na última moda, atraindo mais e mais gente, e muito dinheiro.
Aqui nasceu um novo estilo de vida, a moda chique de viver em lofts, cujos preços chegam a atingir um milhão de dólares. As principais marcas, os melhores designers e os estilistas mais em voga têm loja neste bairro, que, nos últimos cinco anos, se transformou num centro comercial de luxo ao ar livre - emoldurado a norte pela Houston Street, a sul pela Canal Street, a Este pela 6.ª Avenida e a oeste pela Lafayette St. -, um verdadeiro paraíso para os consumistas, mas onde o comum dos mortais apenas pode fazer window-shopping. Quase todas as lojas, cafés, restaurantes e hotéis são de perder a cabeça, desenhados por arquitectos de renome e decorados por badalados designers de interiores. Os preços são exorbitantes, principalmente se quiser viver aqui. Custa muito caro um pequeno lugar ao sol num destes prédios coloridos com fachadas de ferro forjado e janelas amplas, a deixar ver cá debaixo, da rua, um pouquinho do sonho que será viver num loft nova-iorquino...
Flatiron Building, o primeiro dos arranha-céus da cidade, célebre pelo seu formato
triangularTanto luxo e, logo ali, a dois passos, no sul do SoHo, fica a maior cidade chinesa do Ocidente: Chinatown, hoje com 80 a 150 mil habitantes, uma comunidade estrangeira em expansão tão grande que já se confunde com a vizinha Little Italy e o bairro judeu de Lower East Side. A Canal Street, com as suas bancas de rua, que vendem falsificações de carteiras, relógios e roupas mantém--se como pólo de atracção para turistas menos abastados que tentam descobrir preciosidades no meio da confusão.
Rumo ao Ground Zero
Dois passos mais para sul e estamos na Lower Manhattan e no Financial District, que alguém já apelidou de capital financeira do mundo. E se tem dúvidas sobre o poder que o dinheiro tem por estas bandas, então guarde mais um fôlego da caminhada para ver de perto o aspecto de fortaleza que tem o Federal Reserve Bank Building, na Maiden Lane. Existe mais ouro dentro daquelas paredes do que em qualquer outro lugar no mundo... dá para imaginar? Depois, e para ter uma ideia global desta zona, onde principalmente se ganha e perde dinheiro, caminhe pela celebérrima Wall Street até à porta da New York Stock Exchange, a Bolsa de Valores, e do Federal Hall, onde George Washington foi empossado presidente dos Estados Unidos, em 1789. Logo em frente, fica a Trinity Church, uma das mais antigas paróquias anglicanas do país.
Curiosamente, foi aqui, no coração financeiro da cidade, que nasceu Nova Iorque e, precisamente, de uma transacção, quando, em 1626, o holandês Peter Minuit realizou um dos mais célebres negócios imobiliários da história, ao comprar a ilha de Man-a-hatt-ta aos índios algonquianos, com bugigangas no valor de 24 dólares!Mas deixemo-nos de rodeios porque, actualmente, quem visita Lower Manhattan, apenas tem a destruição do World Trade Center na mente. Basta andar uns metros desde Wall Treet para chegar à St. Paul Chapel, na Broadway, que se tornou o local de homenagem às vítimas do 11 de Se-tembro, com a sua vedação completa-mente coberta de posters, bandeiras, cartas, flores e todo o tipo de testemunhos.
ps: Nova York, a cidade que nunca dorme, volta no próximo mês, com o seu fascínio. Até lá...
sábado, 15 de setembro de 2007
Once upon a time in America

Mas, o que é que seduz, realmente, as gentes deste pólo cultural que no Verão conta com temperaturas muitíssimo altas e húmidas e no Inverno enregela a alma dos mais entusiastas? Para começar, não é qualquer um que suporta a vida neste centro que parece possuir uma vida própria e, por vezes, se revela caprichoso. É necessário ter-se, como ele mesmo, uma alma jazzística, pois nota-se um certo swing nas gentes que nas suas artérias vão desfilando. Chicago é terra de música, de blues, de uma inconfundível mistura de nacionalidades que se encontra na sua origem e que remete aos tempos em que irlandeses, italianos, alemães, polacos, mexicanos e asiáticos migraram do Sul dos Estados Unidos decididos a alcançar the real thing.
culturais que proporciona. Uma vez em Chicago, todo o tempo é escasso para que seja possível aproveitar-se ao máximo as ofertas que conjuga, de modo a sentir-se o cheiro de uma essência tão vasta quanto especial. O Art Institute representa, por si mesmo, uma razão válida para visitar Chicago. Trata-se de uma das principais galerias de todo o mundo que conta com uma magnífica colecção abran-gendo cinco mil anos de arte. A poucos quarteirões do Art Institute ergue-se o Centro Cultural que organiza, frequentemente, concertos musicais de livre acesso e cujas galerias, exposições, design e colecções permanentes fazem da cidade um local onde a inovação e a troca cultural se anunciam fervilhantes.Por outro lado, ir a Chicago e não passar pela Magnificent Mile ou, se preferir, a "Mag Mile", é quase como ir a Roma e não ver o Papa. Trata-se de uma enorme avenida que não é mais do que o paraíso dos curiosos. Ali encontra-se de tudo, desde as mais refinadas e conceituadas lojas, às cadeias internacionais desta ou daquela marca. Talvez a sua maior referência seja o Tribune Tower, uma obra-prima de estilo gótico construí-da em 1925 que alberga o vencedor de um prémio Pulitzer, o jornal Chicago Tribune. É engraçada a história da sua construção. Parece que Col Robert McCormick, o excêntrico proprietário, exigiu aos seus jornalistas que lhe trouxessem pequenas pedras de vários monumentos e edifícios famosos de todo o mundo. Uma vez completada a "colecta", McCormick encaixou as pedras na face exterior da base do edifício...
enorme parque que serve de animação à cidade, é considerado como um dos seus ex-líbris. De 1918 a 1930 serviu como cais municipal da cidade, mas mais tarde tornou-se a primeira morada da Universidade do Illinois em Chicago e, dos anos 70 até finais da década de 80, sofreu enormes degradações e foi evitado pela população. Actualmente, encontra-se convertido numa espécie de parque de diversões com especial enfoque para os mais pequenos. Serve de local de encontro e constitui o destino ideal de qualquer folia, tratando-se de um verdadeiro ponto alto nas atracções da cidade. Outro local de grande interesse é o Lincoln Park onde, a qualquer hora, se encontra sempre alguém a acelerar nos patins em linha, em brincadeiras com os filhos, a passear os cães ou a perder a cabeça tentando encontrar um sítio para estacionar. É aqui que se encontra o Biograph Theater, onde o gangster John Dillinger foi alvejado pelos agentes do FBI, em 1934.quarta-feira, 15 de agosto de 2007
As novas 7 maravilhas
domingo, 15 de julho de 2007
Mundos Sonhados - Bazaruto
o nome ao arquipélago, estiveram ligadas ao continente até há cerca de 800 mil anos. A sua fauna e flora riquíssimas, que se manteve praticamente inalterada desde a separação, levou a que fosse classificado como Parque Nacional em 1971. É actualmente supervisionado pelo World Wildlife Fund for Nature que, juntamente com a South African Nature Foundation e o Endangered Wildlife Trust, também o financia. As cerca de 180 espécies de pássaros, as seis espécies diferentes de embondeiros, os crocodilos nos lagos de água salgada e as tartarugas justificam a intervenção destas organizações ambientalistas que estão também a ajudar na preparação da candidatura do arquipélago à classificação de Património Mundial.
Tal como o oceano envolvente, onde apetece mergulhar até à eternidade. Existem lugares que oferecem grandes perigos ao viajante. Distintos daqueles que surgem nos cabeçalhos dos jornais ou abrem os noticiários, mas não menos fatais. Bazaruto é mesmo um dos mais ousados. O risco que se corre ao visitar essa ilha abençoada é o súbito desejo de permanência, doença de que resultam imprevisíveis sintomas e efeitos secundários. O mais radical leva a que, num assomo de coragem, se abandone a civilização. O mais suave implica prolongados estados de melancolia e um sentimento crónico muito próprio das gentes lusas: saudade vitalícia.
a operar desde há 13 anos na ponta Norte, tendo como máxima a valorização da simplicidade. Toda a estrutura – pouco mais de uma dezena de bungalows em madeira e colmo – enquadra-se bem na paisagem natural. Estrategicamente colocadas sobre as areias brancas com vista para o mar a perder-se no horizonte, as construções rústicas não dispõem de televisão, telefone, rádio ou outras mordomias menos condicentes com o ambiente selvagem da ilha. O objectivo é levar o viajante a abstrair-se dos hábitos diários e partilhar do melhor que a ilha tem para oferecer: as maravilhas de uma natureza selvagem, gastronomia simples, mas delicada e saborosa, à base de marisco e peixe fresco, e muita simpatia. É um 4 estrelas, com o "savoir faire" do grupo Pestana.
e sofisticada, encontramos mais a Sul o Indigo Bay, constituído por cerca de vinte quartos em habitações normais e outros tantos bungalows debruçados sobre o mar. Dispostos entre a praia e um relvado colorido por magníficas buganvílias, estão equipados com ar condicionado, TV cabo, telefone, minibar e uma ampla varanda com vista diária para o pôr-do-sol. Apesar das diferenças, ambos os resorts oferecem na hora de adormecer o doce desmaio do Índico sobre a areia e, pela manhã, o chilrear estridente da passarada, escrupulosa na sua função de despertador matinal.O descanso aqui é rei, principalmente porque o dia convida a inúmeras actividades que, se não permitem um momento de tédio, exigem boa forma e dão origem a um apetite devorador, saciado com mestria pelos chefes de cozinha em colaboração com o mar generoso de onde provém o peixinho e o marisco que fazem as nossas delícias. Mergulho, snorkelling, passeios a cavalo (estes só no Indigo Bay), de jipe, aulas de pesca, piqueniques na praia, no mar, sobre as dunas, na iminência de um pôr-de-sol inesquecível, ou mesmo encontros com crocodilos são comezinhas distracções do quotidiano. Percursos e experiências que, em momento algum, se assemelham a excursões barulhentas, mas sim a momentos de descoberta em convivência silenciosa com a cúmplice natureza, aqui na ilha parceira a tempo inteiro.
Resulta deste estatuto que Bazaruto, apesar constituir um dos lugares mais cobiçados pelos amantes da natureza e da boa vida, mantenha a beleza da sua paisagem natural intacta, ao longo dos seus 40 quilómetros de comprimento, e permita aos habitantes nativos preservar a sua cultura ancestral. São pouco mais de seis centenas (não chegam a 2500 em todo o arquipélago), provavelmente descendentes da tribo de pescadores Matsonga. Ainda hoje vivem do que conseguem retirar do mar, atravessando-o com redes,
mesmo junto à praia, ou em pequenos dohws (embarcações típicas, movidas à vela e a vara) em busca de pesca mais grossa, como o marlim e o serra. Habitam em pequenas palhotas, mais ou menos próximas do mar, formando aldeias conhecidas pelo nome do chefe que lhes dita as leis. Vivem em outros tempo e ritmo. É tão provável que um dia, ao passar por perto, tentem comunicar consigo, como nem repararem na sua presença, permanecendo imóveis e absortos nos seus pensamentos. Na realidade, já assistem à chegada e à partida de forasteiros desde o tempo em que os árabes se serviam destas paragens para transaccionar marfim, pérolas e presas de rinoceronte.






