Reaberto em 2015, com a mesma Gerência
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundos Sonhados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Mundos Sonhados. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Aventuras de uma vida!

Ao contrário do que a "traquininha" e outras pessoas de mer*a pensariam, a esta hora, o blog não encerrou. Apenas e só a manifesta falta de tempo dos seus autores [rapazes trabalhadores] não tem permitido a necessária actualização do mesmo. Para compensar aqueles leitores fiéis, de longa data, aqui ficam algumas sugestões para fugir cá do burgo, agora que o frio e a chuva vieram para ficar.

São viagens míticas, nem sempre facilmente realizáveis, mas que garantem as férias mais inesquecíveis de sempre. Basta ter coragem, espírito de aventura, tempo disponível e, se possível, algum dinheiro, é claro!

1 VOLTA AO MUNDO – Júlio Verne terá criado o mito com a sua volta ao mundo em 80 dias. Desde então, muitos sonham com a concretização deste velho sonho... The World (navio em permanente volta ao mundo; em Dezembro estará no Funchal, onde poderá embarcar), www.aboardtheworld.com; www.staralliance.com (passes aéreos)

2 ROTA DA SEDA – A ideia é seguir o velho percurso secular que trazia riquezas do Oriente para o Ocidente através de terrenos inóspitos e remotos.

3 AUSTRÁLIA E NOVA ZELÂNDIA – Nos antípodas de Portugal, a Austrália e a Nova Zelândia são, pela distância, diversidade e imensidão das suas paisagens, uma daquelas viagens com que se sonha toda a vida.

4 ROUTE 66 – Para quem viajar também é sinónimo de fazer quilómetros, este será talvez “O” itinerário. Simbolismo pelo menos não lhe falta, assim como histórias e cenários de Hollywood. De Chicago a Los Angeles são cerca de 3000 quilómetros…

5 TRANSIBERIANO – Atravessando 10.000 quilómetros e sete fusos horários, o transiberiano, que liga São Petersburgo a Vladivostok, é a maior ligação ferroviária do mundo. www.abreu.pt

6 ANTÁRCTIDA – Em redor do Pólo Sul, o mais meridional dos continentes está quase completamente coberto por glaciares. Aqui só espécies muito adaptadas, como os pinguins, conseguem sobreviver. Apenas tem uma população residente de cientistas e pessoal de apoio nas bases polares, que oscila entre mil (no Inverno) e quatro mil pessoas (no Verão).

7 KILIMANJARO – O esforço da subida dos 5896 metros da montanha mais alta de África é aceitável, mas a boa forma física é essencial. A seguir sugere-se um safari ou uns dias de praia em Zanzibar.

8 PAN-AMERICANA – Liga o Alasca ao Chile em 25 mil quilómetros, mas o nome “highway” não pode ser levado muito a sério. Conte com uma rede de vias de diferentes estados de conservação e percursos, naquela que poderá ser a maior aventura de qualquer viajante.

9 EVERESTE – Para quem não tem tempo nem dinheiro para chegar ao topo, o trekking até ao chamado “Base Camp”, a 5180 metros, substitui em pleno a sensação de estar no topo do mundo.

10 ESPAÇO – O (elitista) mercado das viagens sub-orbitais está em alta e não param de surgir novidades cada vez mais arrojadas. Os preços, é claro, são sempre a condizer.

11 AMAZÓNIA – Talvez uma das epopeias mais facilmente realizáveis desta lista, se pensarmos na oferta de pacotes turísticos para Manaus e para a coqueluche da hotelaria local, o Ariaú Towers. Mais arrojado será se optar por subir todo o Amazonas, desde Belém a Iquitos, no Peru.

12 ILHAS GALÁPAGOS – Verdadeiro santuário natural com mais de três milhões de anos, têm as condições ideias para a preservação de uma flora e vida selvagem únicas no mundo. Uma viagem às descobertas de Charles Darwin...

13 ÍNDIA – O Taj-Mahal, Património Mundial e uma das novas Sete Maravilhas do Mundo é só o ícone mais marcante, mas de Agra a Jaipur, Udaipur ou Jodhpur não faltam maravilhas naquele que é o mais mágico dos países.

14 BLUE TRAIN – Entre os vários comboios míticos, o Blue Train, que faz o percurso entre Pretória e a Cidade do Cabo, é um dos mais luxuosos do mundo. Transporta apenas 80 passageiros e tem 30 mordomos ao seu dispor. Outra possibilidade é fazer o Cape to Cairo...

15 DESERTOS – Há quem diga que não existe maior sensação de liberdade como a que se sente ao passar uma noite sob o céu estrelado de um deserto. Do Sahara ao Kalahari as possibilidades podem ser muitas e para todos os níveis de aventura.

ps: É uma lista resumida, mas com links associados, para quem quiser desenvolver o seu plano de viagens ou apenas sonhar um bocadinho. Pode ler mais na edição comemorativa da revista Rotas & Destinos de Dezembro, num especial número comemorativo das 150 edições. Brevemente virá um artigo idêntico, dedicado às cidades. Não percam...

sábado, 10 de novembro de 2007

The City that never sleeps - Ep. 2

No Ground Zero

É estranha e arrepiante a sensação de deparar com todos os nomes inscritos e mensagens de dor, principalmente quando estamos no coração do mais competitivo bairro nova-iorquino. Pouco depois dos atentados foi colocada neste local uma rampa que permitia aos visitantes e uma visão do Ground Zero (expressão que significa "destruição total", utilizada pela primeira vez nos testes de explosões atómicas), ou seja, do imenso vazio deixado pela derrocada das Torres Gémeas. Mas esta plataforma gerou uma imensa controvérsia. Para alguns, era uma forma de homenagear as vítimas e não deixar esquecer o horror; para outros um incentivo à transformação do local num ponto de atracção turística e voyeurismo. E, de facto, ambos os pontos de vista são verdadeiros e pratica-mente impossíveis de evitar.

A rampa foi retirada, os curiosos podem hoje chegar ao gradeamento e espreitar para o gigantesco buraco, contornando o local por uma passagem que faz a ligação ao Winter Garden do World Finacial Center. Para quem nunca aqui esteve, é difícil visualizar a grandiosidade do WTC e as obras em curso já só fazem pensar no que irá nascer em seu lugar. Em Julho, as autoridades apresentaram seis projectos de memorial destinados a substituir as torres imaginadas pelos irmãos Rockefeller. Aqueles que sonhavam confrontar os terroristas com a construção de arranha-céus ainda mais altos ficaram desiludidos. Todas as maquetas propõem um jardim, uma praça, um passeio, a ideia geral parece ser deixar um espaço livre e de erguer "pequenos edifícios" (com não mais do que 80 andares, contra os 110 das Torres Gémeas) em redor. Mas, como é hábito, os projectos foram duramente criticados, o New York Times, classificou-os de "tristes e monótonos" e tudo está ainda em aberto.

A arte de viver em mudança

Se tiver curiosidade em saber o que mudou na cidade pergunte a um nova-iorquino. Quase invariavelmente, vão responder-lhe "nothing", com um encolher de ombros. Os primeiros tempos foram difíceis, mas a cada data que passou - um Thanksgiving, um Natal, um Fim de Ano - e nada mais aconteceu, as pessoas regressaram à sua vida normal e decidiram aceitar que tudo é vulnerável, até mesmo Nova Iorque. No máximo, dizem os optimistas, as pessoas deixaram de correr tanto, de pensar apenas em trabalho e tentam aproveitar mais o tempo, a vida, os amigos e a família.O mesmo pode e deve fazer, como turista. Programas alternativos não faltam. Embrenhe-se pela paleta de tons verdes e castanhos do Central Park ou atravesse a pé a Ponte de Brooklyn. Concluída em 1883, foi a maior ponte suspensa do mundo e a primeira em aço. A passagem para peões que se eleva acima do tabuleiro dos carros oferece uma vista deslumbrante, "um eficiente remédio para a alma", como dizia Walt Whitman. Do outro lado, existe uma nova cidade para descobrir. Originalmente, uma comunidade de imigrantes, Brooklyn é a nova coqueluche do momento e DUMBO (Down Under Manhattan Bridge Overpass) e BOBOCA (Boerum, Cobble Hill e Carrol Gardens), os bairros da moda.

A mudança é uma das características da Big Apple. Aqui tudo muda e tudo pode acontecer. Não muito longe, na Brooklyn Bridge, no South Sea Port District, está prevista a construção de um novo Guggenheim, desenhado por Frank Gehry, semelhante ao edifício de Bilbao, mas em maiores proporções. Uma alteração radical da paisagem portuária, como foi, a mudança provisória, em Junho deste ano, de um dos mais célebres museus de Manhattan, o MOMA-Museum of Modern Art, para Queens. Sob alta segurança, desfilou pelas ruas da cidade uma colecção com 100 000 pinturas, desenhos, esculturas, gravuras e fotos, 14 000 filmes e 140 000 livros e jornais. Desenhado por Yoshio Taniguchi, o novo edifício tem inauguração prevista para 2005. Enquanto isso, em Queens, pode ver uma mostra dos 75 mais simbólicos e queridos trabalhos da colecção do MoMA, onde se destacam Les Demoiselles d'Avignon (1907) de Pablo Picasso, e Dance (1909), de Henri Matisse.

Sugerimos-lhe também que guarde um domingo para assistir a um coro de gospel numa igreja baptista do Harlem e Morningside Heights. Estes coros religiosos, de ritmo meio funk, meio soul e rtythm'n'blues tornaram-se a rampa de lançamento para a renovação destes bairros. A mudança, há cerca de um ano, de Bill Clinton para a rua 125, no antigo gueto negro de Manhattan, foi o indício mais evidente de que algo está a mudar. Há poucos anos, os taxistas recusavam-se a entrar em determinadas ruas. Hoje abrem aqui restaurantes com as melhores críticas, a renovação de hotéis particulares têm destaque em revistas de decoração e constroem-se condomínios de luxo. Quem sabe o que acontecerá amanhã?

O último recenseamento confirma que, em dez anos, a imigração aumentou numa proporção inédita desde há um século: 30% dos habitantes nasceram no estrangeiro. Mais que nunca, a cidade é uma segunda Babel, onde se falam todas as línguas do mundo. Foram as pessoas, a diferença que fez de Nova Iorque o que é hoje. Por isso, nada como caminhar pelas ruas.

O melhor que a Big Apple tem para oferecer e o maior prazer que se pode sentir: o movimento das lojas, o frenesim das pessoas a passar, enquanto bebe um cappuccino sentado na montra de um café. A cada segundo que passa, uma história acontece. Alguém conseguiu um papel numa peça da Broadway, um emprego num restaurante, ou ganhou o primeiro milhão na bolsa.

Alguém chegou pela primeira vez à cidade e se apaixonou para sempre.

O Reverso da medalha

As dificuldades do turista que chega e sonha viver em Nova Iorque

1. Os pés sofrem em Nova Iorque. Convencemo-nos de que da 5ª avenida à 6ª é só um pulinho, de que as milhas são mais curtas que os quilómetros, quando na verdade as distâncias são impressionantes. Para percorrer e ver tudo, precisa de um skate ou de ser maratonista. Leve ténis e um daqueles banquinhos portáteis de levar a Fátima - se tiver coragem. No final do dia vai sentir que fez a via sacra e nem lhe vai apetecer sair à noite.

2. Os fumadores estão interditos na "grande maçã". Encontrar um sítio que não seja smoke free, em que acender um cigarro não seja um acto criminoso é uma missão (quase) impossível. Além disso, o voo de oito horas não ajuda quem não consiga ventilar os pulmões sem a ajuda do alcatrão. Nas ruas, pode dar largas ao vício mas, no Inverno, tirar as luvas para acender o cigarro deixa as mão congeladas e o isqueiro dificilmente acende nas esquinas ventosas. Fumar é também uma despesa acrescida: este é o estado onde se cobra o valor mais elevado dos Estados Unidos (3 vezes mais do que em Portugal). Se conseguir passar todas estas provações, ou se estiver inscrito num programa para deixar de fumar, Nova Iorque é o seu destino.

3. Jantar ou almoçar sentado é para esquecer. Os preços estão expostos na ementa, mas são terrivelmente enganadores. O que parece uma refeição de custo médio é inflaccionada pelas gorjetas, que se situam entre os 15 e os 20 por cento. E nada de confusões... se resolver dar uma de "tuga" e ser forreta, saiba que os empregados seguem o cliente até à rua para reivindicar a gorjeta que entre eles tem força de lei. E nem tem a desculpa para o mau serviço, porque, geralmente, é muito eficiente. Se tiver estômago para aguentar a vergonha... força!, caso contrário, tem sempre os cachorros quentes nas ruas, que apesar da fama não são nada de especial. Outra alternativa são os "delis", uma espécie de lojas de conveniência, onde pode comer a preços bem acessíveis.

4. Se vive num condomínio e está empenhado no banco para pagar a sua casa não espreite para os lofts nova-iorquinos. Os apartamentos do Soho ou casas da Village e na TriBeca vão fazer parecer que comprou casa na cidade errada. O mais modesto é um duplex, tem terraço nos topo do edifício a que eles chamam jardins de inverno. E o pior é que como não há persianas na cidade, o seu olhar vai escorregar, mesmo que não o deseje. Depois há as avenidas que acompanham o Central Park, com entradas de toldos aquecidos, onde apetece parar para aquecer as mãos. Os porteiros não acham piada, sobretudo se tentar espiolhar o interior. O único conforto é pensar que o preço médio de condomínio ronda os 600 euros!

5. As suas mãos vão andar permanentemente sujas. Mesmo que não toque em nada, o que é difícil, vai ter a sensação de que participou numa batalha de lama e de que perdeu. Na sua conquista civilizacional, Nova Iorque perdeu, algures, a luta contra a poluição. Por isso, sempre que possível, mantenha as mãos nos bolsos.

6. Não tente alugar um carro. O trânsito não anda, sobretudo fora das horas de ponta. Os taxistas têm mau humor, não alinham em conversas, nem estão interessados em saber se está de visita à cidade. Além disso, cobram extras por cada minuto parado no trânsito.

7. Todas as lojas vão chamar por si. O apelo ao consumo é aqui levado ao extremo. As lojas de roupa têm DJ's, as de decoração têm ar de casas de alta costura, as casas de alta costura e de museu interactivo. Pode tocar em tudo, revirar, apalpar. Também vai querer hibernar nas livrarias e comprar tudo ou quase tudo. O Natal é a altura ideal para visitar Nova Iorque. O único inconveniente é que a temperatura no interior das lojas não tem nada a ver com a temperatura da rua e dá é precisa alguma prática para despir o casaco, o cachecol e as luvas, para depois vestir tudo outra vez e repetir este ritual até à exaustão.

8. A não ser que ande de headphones, vai estar constantemente a ouvir sirenes dos bombeiros e de carros da polícia. O barulho é a música da cidade. E, já agora, lembre-se que está nos "States", faça um seguro antes de aterrar.

9. Nova Iorque não é o centro do mundo. É o umbigo, e os nova-iorquinos acreditam nisso como ninguém. Por isso, quando disser que vem de Portugal não se ofenda com a pergunta: "faz fronteira com a Argentina ou o Chile"?

ps1: Bem, depois deste díptico sobre a "grande maça", ou a "cidade das cidades", aventure-se por lá quem quiser...ou tiver bolsa para isso. Qualquer coisa, perguntem ao Pedro, que o sortudo já por lá passou, e recentemente...

ps2: Não costumo fazer dedicatórias nos meus artigos, mas esta também não foi uma semana normal, por isso cá vai a excepção à regra. Para a "madame" Maria Manuela, e os seus delírios da treta, cá vai um bem americano "UP YOURS"!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

The City that never sleeps - Ep.1

Mais vibrante que nunca, Nova Iorque está de volta. Recuperada do 11 de Setembro, aceitou a sua vulnerabilidade, mas não parou e continua frenética, a abraçar o mundo, reinventando-se a cada segundo...

Nova Iorque é fascinante, a mais fascinante de todas as cidades. Porquê? Não sei [mas podem perguntar ao sortudo do Pedro, que já lá foi], diria que é uma questão de paixão e que qualquer avaliação racional deste sentimento viria aqui a despropósito. Caótica, barulhenta e poluída, não tem a imponência aristocrática de Paris, a beleza, a cor e a história de Roma ou a geografia, o clima tropical e o ritmo descontraído do Rio de Janeiro. Também não tem grandes monumentos, nem edifícios seculares e não é propriamente acolhedora. E, no entanto, seduz e vicia os nossos passos, atraindo-nos para o seu interior. Talvez sejam as luzes que ofuscam, a energia electrizante que se vive nas suas ruas, o desenfreado apelo ao consumo, a rapidez com que tudo se passa, o turbilhão de gente, a sensação de poder, de potência, de que ali tudo pode acontecer. Tentadora, a "maçã" atrai, deixa-nos saboreá-la e depois agarra-nos para sempre. Mas não será esse o mistério e encanto de uma paixão?

No coração de Manhattan

Passado o primeiro impacto, a sensação é de déjà vu. Por onde quer que andemos, tudo nos parece familiar, os táxis amarelos, o fumo característico que sai das condutas do metro nos dias frios, os edifícios, as fardas dos polícias... O certo é que já os vimos, já conhecemos quase ao pormenor alguns dos bairros, das cores, dos hábitos e dos movimentos da cidade, tantos foram os filmes aqui rodados.Comecemos pelos lugares comuns. Nova Iorque está cheia deles. A Quinta Avenida, ou se preferir, Fifth Avenue é um deles. Muito pouco original como sugestão de passeio, mas absolutamente obrigatória para qualquer turista que se preze, é uma espécie de centro nevrálgico do consumo para ondeconvergem multidões de passagem, às compras ou simplesmente atraídas pela sumptuosidade e brilho das lojas. Foi aqui que o milionário William Henry Vanderbilt construiu a sua mansão em 1883, seguido por famílias poderosas como os Astor ou os Gould. E foi também aqui que casas como a Cartier e a lendária Tiffany, a Gucci, a Fendi, a Prada, os armazéns Sak's Fifth Avenue o chiquérrimo Bergdorf Goodman e as mais populares (e baratas) Banana Republic e Gap estabeleceram os seus quartéis generais. E porque símbolos do poder não faltam na principal das avenidas, vai deparar-se com a cintilante Trump Tower, mandada construir pelo magnata Donald Trump nos anos 80 e com o Hotel Plaza, também ele um ícone do luxo ostentador.

Outro dos grandes marcos da Quinta Avenida e um dos lugares mais visitados de Nova Iorque é, sem dúvida, o Rockefeller Center. O primeiro complexo de edifícios do mundo a concentrar simultaneamente escritórios, lojas, restaurantes, entretenimento e jardins, foi construído entre 1931 e 1940 graças a John D. Rockefeller Jr. Hoje continua a merecer uma visita, especialmente em Dezembro, quando as iluminações de Natal são colocadas e o ringue de patinagem fica repleto de gente de todas as idades a deslizar ao som de músicas alusivas à época. Cenário mais turístico não há, mas este é um bom lugar para ir na primeira noite na cidade, é divertido e dá-nos a primeira picadela da serpente. Mal nos descuidamos, já estamos a trautear uma melodia e com vontade de patinar. É verdade, meus senhores, o "american way of life" contagia e depressa!

Estamos em Midtown, o centro de Manhattan, onde coabitam os mais importantes marcos da cidade e onde existe a maior concentração de diversidade arquitectónica única no mundo, com alguns dos arranha-céus mais inovadores e marcantes de todos os tempos. É impossível ignorar o edifício Chrysler, uma torre, também ela, art déco de aço inoxidável ornada com tampas de radiador, volantes, automóveis e gárgulas inspiradas num capot, construída para ser a sede, precisamente, da Chrysler; ou, um pouco mais a sul, o Empire State Building, o arranha-céus mais famoso de Nova Iorque (e do mundo) e que recentemente (após os atentados ao WTC) recuperou o título de mais alto. Acredite, vale a pena ganhar coragem, não perder a paciência nas filas, e subir até ao terraço de observação no 86.º andar onde Cary Grant esperou por Deborah Kerr em Affair to Remember. Outro dos locais de visita obrigatória para amantes de arquitectura e nostalgia cinematográfica é a Grand Central Terminal, a célebre estação de comboios que foi cenário de um beijo entre o fugitivo Gregory Peck e Ingrid Bergman no Spellbound de Hitchcock e onde, catorze anos depois, o mesmo mestre do suspense filmou North by Northwest. Inaugurada em 1913, a Grand Central foi projectada pela dupla de arquitectos Warren & Wetmore e transformou-se numa referência, porta de entrada e saída na cidade, recebendo diariamente um milhão e meio de pessoas. Até há bem pouco tempo escondida pela poluição, com o seu recente restauro - levado a cabo pela Beyer Blinder Belle, empresa responsável pela obra no museu de Ellis Island -, a Grand Central e o seu salão de tecto abobadado e grandes escadarias de mármore inspiradas nas da Ópera de Paris, recuperaram o seu esplendor neoclássico ao máximo.

Depois, aterre de olhos fechados em Times Square. Quando os abrir, vai acreditar estar dentro do Blade Runner, vai olhar para todos os lados e, entre a multidão que passa, o seu olhar vai dirigir-se para cima, em direcção às luzes e aos cartazes coloridos da Broadway. Vai parecer mesmo um turista recém-chegado tal a sua expressão de espanto, mas também pouco importa porque é impossível ficar indifente ao espectáculo e ninguém vai reparar em si. Edifícios altíssimos, cartazes e néons que iluminam a noite escura, várias músicas de fundo, um cowboy sem roupa, mas de guitarra em punho, um baterista à procura do sucesso, uma sirene pelo meio... Compre a Time Out, decida-se por um musical ou prossiga o seu caminho, a dançar...

Histórias da Village

Logo depois do Empire State e seguindo até Madison Square, damos de caras com o Flatiron Building, um dos mais fantásticos prédios nova-iorquinos. Construído em 1902, inaugurou a moda dos arranha-céus e tornou-se polémico porque todos achavam que iria ser derrubado pelas correntes de vento provocadas pela a sua original forma triangular. Marca a entrada no Gramercy e Flatiron District. A Union Square, onde Andy Warhol tinha a sua "Fábrica", fica logo ali ao lado, recebe um animado mercado semanal, com venda de fruta e legumes, e tem vindo a transformar-se num dos novos locais da moda, em parte graças à abertura do novo W Hotel. Entramos em Greenwich Village, que os nova-iorquinos há muito baptizaram apenas de "Village". Aqui começa uma outra Manhattan, com uma arquitectura muito própria, de prédios baixos, praças e pátios arborizados, mais acolhedora, descontraída e boémia, mas não menos vibrante.

Ocupando a área envolvente entre a rua 14 e a Houston Street, a Village original fica na zona West e possui a aparência de bairro residencial, com prédios de tijolo vermelho, ruas ladeadas de árvores, pequenos jardins, muito cuidados, uma autêntica vila dentro da grande metrópole. Do lado oposto, East Village roubou-lhe o título de bairro fashionable, ex-perimental e eclético. Inicialmente habitada por irlandeses, polacos, ucranianos e porto-riquenhos, tem sido também albergue de escritores, actores e músicos independentes, o mesmo é dizer alternativos e fora do sistema. Aqui cresceu a cultura punk e surgiram teatros e galerias que privilegiam a arte experimental. Mais a leste, a Alphabet City, assim baptizada porque as ruas têm o nome das primeiras letras do alfabeto foi a última área decadente a ser revitalizada. O que noutras cidades é underground faz parte do quotidiano deste bairro, onde cyber-punks, drag queens, body-piercing e dealers convivem com estudantes, publicitários e modelos. Ficam aqui alguns dos bares e restaurantes mais disputados de Nova Iorque, clubes e discotecas com moradas secretas, onde apenas entram os ultra cool e se vendem todas as substâncias e todos os devaneios que possa imaginar...Chelsea, para onde fugiram as galerias de arte mais importantes após a invasão burguesa do SoHo, é outro dos bairros trendy de NY. Pelas ruas 20 e 26, entre a 10.ª e a 11.ª avenida, vive uma comunidade criativa que tem como cabeça de cartaz o Dia Center for the Arts (548 West 22nd St.), um centro (alojado desde 1981 numa fábrica desactivada) onde expõem os nomes mais famosos e promissores das artes plásticas contemporâneas.

A boa vida do SoHo

Há muito que deixou de ser um bairro vanguardista, mas o SoHo - um acrónimo de South of Houston -, a sul de Greenwich Village, é uma espécie de sonho americano concretizado. Uma velha e decadente zona fabril, estava para ser demolida na década de 60, quando alguns visionários lutaram pela preservação da singular arquitectura industrial dos seus edifícios, cujas escadas de incêndio são verdadeiras esculturas de ferro forjado. Abandonado o plano inicial, durante os anos 70, artistas ocuparam os imensos lofts (grandes espaços sem paredes internas), transformando-os em ateliers. Uma animada cena artística, com galerias, lojas, restaurantes e cafés ocuparam o local e, num ápice, o SoHo transformou-se na última moda, atraindo mais e mais gente, e muito dinheiro.

Aqui nasceu um novo estilo de vida, a moda chique de viver em lofts, cujos preços chegam a atingir um milhão de dólares. As principais marcas, os melhores designers e os estilistas mais em voga têm loja neste bairro, que, nos últimos cinco anos, se transformou num centro comercial de luxo ao ar livre - emoldurado a norte pela Houston Street, a sul pela Canal Street, a Este pela 6.ª Avenida e a oeste pela Lafayette St. -, um verdadeiro paraíso para os consumistas, mas onde o comum dos mortais apenas pode fazer window-shopping. Quase todas as lojas, cafés, restaurantes e hotéis são de perder a cabeça, desenhados por arquitectos de renome e decorados por badalados designers de interiores. Os preços são exorbitantes, principalmente se quiser viver aqui. Custa muito caro um pequeno lugar ao sol num destes prédios coloridos com fachadas de ferro forjado e janelas amplas, a deixar ver cá debaixo, da rua, um pouquinho do sonho que será viver num loft nova-iorquino...

Flatiron Building, o primeiro dos arranha-céus da cidade, célebre pelo seu formato triangularTanto luxo e, logo ali, a dois passos, no sul do SoHo, fica a maior cidade chinesa do Ocidente: Chinatown, hoje com 80 a 150 mil habitantes, uma comunidade estrangeira em expansão tão grande que já se confunde com a vizinha Little Italy e o bairro judeu de Lower East Side. A Canal Street, com as suas bancas de rua, que vendem falsificações de carteiras, relógios e roupas mantém--se como pólo de atracção para turistas menos abastados que tentam descobrir preciosidades no meio da confusão.

Rumo ao Ground Zero

Dois passos mais para sul e estamos na Lower Manhattan e no Financial District, que alguém já apelidou de capital financeira do mundo. E se tem dúvidas sobre o poder que o dinheiro tem por estas bandas, então guarde mais um fôlego da caminhada para ver de perto o aspecto de fortaleza que tem o Federal Reserve Bank Building, na Maiden Lane. Existe mais ouro dentro daquelas paredes do que em qualquer outro lugar no mundo... dá para imaginar? Depois, e para ter uma ideia global desta zona, onde principalmente se ganha e perde dinheiro, caminhe pela celebérrima Wall Street até à porta da New York Stock Exchange, a Bolsa de Valores, e do Federal Hall, onde George Washington foi empossado presidente dos Estados Unidos, em 1789. Logo em frente, fica a Trinity Church, uma das mais antigas paróquias anglicanas do país. Curiosamente, foi aqui, no coração financeiro da cidade, que nasceu Nova Iorque e, precisamente, de uma transacção, quando, em 1626, o holandês Peter Minuit realizou um dos mais célebres negócios imobiliários da história, ao comprar a ilha de Man-a-hatt-ta aos índios algonquianos, com bugigangas no valor de 24 dólares!Mas deixemo-nos de rodeios porque, actualmente, quem visita Lower Manhattan, apenas tem a destruição do World Trade Center na mente. Basta andar uns metros desde Wall Treet para chegar à St. Paul Chapel, na Broadway, que se tornou o local de homenagem às vítimas do 11 de Se-tembro, com a sua vedação completa-mente coberta de posters, bandeiras, cartas, flores e todo o tipo de testemunhos.

ps: Nova York, a cidade que nunca dorme, volta no próximo mês, com o seu fascínio. Até lá...

sábado, 15 de setembro de 2007

Once upon a time in America



Se existe uma cidade que ilustra bem o sonho americano é Chicago, pois de antro do crime passou a uma metrópole onde apetece viver e passear.

De morada de Al Capone e Scarface não perde Chicago a fama. Centro de contrabando comandado por impiedosos grupos de gangsters durante a época da lei seca, Chicago foi pátria de cenários que ainda hoje se reconstituem em cinema. Mas nem só estas personalidades ajudaram a eternizar a mesma cidade norte-americana que Frank Sinatra cantou. Com efeito, Chicago tem um encanto muito especial que lhe é muito próprio, já que se trata de um centro urbano onde é possível apreciar os mais inesperados e espantosos horizontes de sempre. Cidade cosmopolita, fervilha em cada esquina combinando arte, história, entretenimento, culinária e desporto numa cultura que não encontra paralelo em nenhum outro ponto do mundo. Do glamour e grandeza da Michigan Avenue aos teatros de Belmont e à academia da Universidade de Chicago, passando pelo famoso Lincoln Park, a cidade desperta, convida e inebria quem nela se passeia e por ela se deixa envolver.

Mas, o que é que seduz, realmente, as gentes deste pólo cultural que no Verão conta com temperaturas muitíssimo altas e húmidas e no Inverno enregela a alma dos mais entusiastas? Para começar, não é qualquer um que suporta a vida neste centro que parece possuir uma vida própria e, por vezes, se revela caprichoso. É necessário ter-se, como ele mesmo, uma alma jazzística, pois nota-se um certo swing nas gentes que nas suas artérias vão desfilando. Chicago é terra de música, de blues, de uma inconfundível mistura de nacionalidades que se encontra na sua origem e que remete aos tempos em que irlandeses, italianos, alemães, polacos, mexicanos e asiáticos migraram do Sul dos Estados Unidos decididos a alcançar the real thing.

Ali desenvolveram uma cidade de espantoso estilo arquitectónico. As universidades orgulham-se de ver laureadas com o prémio Nobel não uma mas várias personalidades que, em tempos, frequentaram as suas salas de aulas. Um dos valores de que Chicago se orgulha é, por exemplo, Ernest Hemingway, o autor de O Velho e o Mar e de O Jardim do Éden, que na juventude viveu em Oak Park, um subúrbio da cidade. Chicago é também a pátria dos amantes do desporto.

Situada no nordeste do estado do Illinois, estende-se por 50 quilómetros ao longo da margem do lago Michigan. O centro histórico da cidade, por seu turno, o Loop (como lhe chamam os americanos), herdou o nome dos percursos ferroviários que o cercam, ao passo que os seus edifícios constituem uma cartilha da arquitectura americana. A intersecção das grandes avenidas apresenta um turbilhão de números e permite vertiginosos passeios sem que um único nome de rua surja a recordar uma ou outra memória. É a partir daqui que Chicago se organiza e cresce com o olhar poisado nos quatro pontos cardeais.

Um dos pontos fortes desta cidade internacionalmente famosa é a variedade de estímulos culturais que proporciona. Uma vez em Chicago, todo o tempo é escasso para que seja possível aproveitar-se ao máximo as ofertas que conjuga, de modo a sentir-se o cheiro de uma essência tão vasta quanto especial. O Art Institute representa, por si mesmo, uma razão válida para visitar Chicago. Trata-se de uma das principais galerias de todo o mundo que conta com uma magnífica colecção abran-gendo cinco mil anos de arte. A poucos quarteirões do Art Institute ergue-se o Centro Cultural que organiza, frequentemente, concertos musicais de livre acesso e cujas galerias, exposições, design e colecções permanentes fazem da cidade um local onde a inovação e a troca cultural se anunciam fervilhantes.Por outro lado, ir a Chicago e não passar pela Magnificent Mile ou, se preferir, a "Mag Mile", é quase como ir a Roma e não ver o Papa. Trata-se de uma enorme avenida que não é mais do que o paraíso dos curiosos. Ali encontra-se de tudo, desde as mais refinadas e conceituadas lojas, às cadeias internacionais desta ou daquela marca. Talvez a sua maior referência seja o Tribune Tower, uma obra-prima de estilo gótico construí-da em 1925 que alberga o vencedor de um prémio Pulitzer, o jornal Chicago Tribune. É engraçada a história da sua construção. Parece que Col Robert McCormick, o excêntrico proprietário, exigiu aos seus jornalistas que lhe trouxessem pequenas pedras de vários monumentos e edifícios famosos de todo o mundo. Uma vez completada a "colecta", McCormick encaixou as pedras na face exterior da base do edifício...

Mas nem só de construções vive Chicago. Junto à margem do Lago Michigan, o Navy Pier, um enorme parque que serve de animação à cidade, é considerado como um dos seus ex-líbris. De 1918 a 1930 serviu como cais municipal da cidade, mas mais tarde tornou-se a primeira morada da Universidade do Illinois em Chicago e, dos anos 70 até finais da década de 80, sofreu enormes degradações e foi evitado pela população. Actualmente, encontra-se convertido numa espécie de parque de diversões com especial enfoque para os mais pequenos. Serve de local de encontro e constitui o destino ideal de qualquer folia, tratando-se de um verdadeiro ponto alto nas atracções da cidade. Outro local de grande interesse é o Lincoln Park onde, a qualquer hora, se encontra sempre alguém a acelerar nos patins em linha, em brincadeiras com os filhos, a passear os cães ou a perder a cabeça tentando encontrar um sítio para estacionar. É aqui que se encontra o Biograph Theater, onde o gangster John Dillinger foi alvejado pelos agentes do FBI, em 1934.

Ainda no mesmo espaço ergue-se um jardim zoológico fundado em 1868 onde lagartos, tartarugas, morcegos e aranhas encontram o seu próprio paraíso. Este zoo orgulha-se por ser pioneiro no sucesso da reprodução de gorilas em cativeiro, com nada mais nada menos do que três dúzias de nascimentos registados desde 1970. Ali, também é frequente apanhar-se chimpanzés totalmente absorvidos a pintar páginas e páginas de papel a lápis de cores. Como não poderia deixar de ser num país como a América, é lógico que as suas imagens costumam ser seleccionadas e expostas em galerias... Depois de um périplo por uma das mais famosas cidades do mundo, pelos tempos da lei seca que deram lugar à chegada de profundos estímulos culturais que fazem de Chicago um must, o melhor é mesmo apanhar um avião e deixar-se levar pelo old american way.

Como ir
Existem várias companhias que realizam voos para Chicago.

Onde Ficar
Dos mais luxuosos aos mais acessíveis, Chicago acaba sempre por ter ofertas de alojamento para quem ali chega sem hotel marcado.Best Western — Hawthorne Terrace(773) 244-3434(888) 675 - BESTPark Brompton Hotel(773) 404-3499(800) PARK - 108Surf Hotel(312) 528-8400(800) SURF - 108The Blackstone Hotel(312) 427-4300(800) 622-6330The Drake Hotel(312) 787-2200(800) 55 DRAKEHoliday Inn Chicago City Centre(312) 787-6100(800) HOLIDAYOnde ComerBossa Nova1960 N. Clybourn(312) 248-4800Óptimas tapas e música ao vivo muito animada.Surf and Turf400 N. State Street(312) 467-1600Tanto os pratos de carne como de peixe apresentam uma variedade de escolha muito variada. O piano bar é também um ponto forte deste restaurante.The Saloon Steakhouse200 E. Chestnut(312) 280-5454Um dos melhores restaurantes de Chicago, com uma óptima carta de vinhos.O’Briens Restaurant and Bar1528 N. Wells Street(312) 787-3131Bifes suculentos, marisco fresco e um piano bar de fazer esquecer as horas que vão passando.Marina 300300 N. State Street(312) 321-0786Carne, massas e marisco de boa qualidade num espaço com vista sobre o rio Chicago.

Visitar
Shedd Aquarium
No Shedd Aquarium pode apreciar uma das mais impressionantes colecções de anfíbios e outras criaturas marinhas. Construído em 1929, conta com 200 tanques e um oceanário de vários andares.

Adler Planetarium
Um ponto de interesse que se destaca principalmente pelos espectáculos multimédia tremendamente realistas que dão a conhecer os vários planetas do nosso sistema, bem como outras estrelas e galáxias. Conta ainda com notáveis exposições temáticas. A não perder!

Field Museum of Natural History
Um museu de História Natural cuja visita se torna indispensável. Trata-se de um dos ex-líbris de Chicago. Dos tempos mais antigos à modernidade, o Field Museum orgulha-se de integrar na sua colecção um esqueleto de um Tyrannosauros Rex, baptizado pelos proprietários como Sue.
Chicago Botanic Garden
Um museu vivo de 300 acres de extensão que oferece a beleza de mais de 20 jardins independentes entre si. Entrada gratuita.

Block Gallery
A Block Gallery é o museu de belas-artes da Universidade Northwestern. Mantém um ambicioso e dinâmico calendário de eventos ao longo de todo o ano. Aqui também poderá visitar uma das melhores colecções de escultura contemporânea da região.

Pritzker Park
Um parque localizado no coração da cidade criado por Ronald Jones, em colaboração com a Câmara de Chicago, que conta com um bosque de árvores e uma parede de granito inspirados no Banquete de René Magritte.

Biblioteca Harold Washington
Uma das maiores bibliotecas de todo o mundo, esta gema de Chicago oferece excelentes serviços de informação, organiza programas culturais e muitas exposições ao longo de todo o ano.

Museu da Ciência e da Indústria
Eis um espaço onde os visitantes podem apreciar as exposições de um modo interactivo. Aqui é possível visitar um submarino alemão e participar em simulações de voos em vários modelos aéreos. O museu conta ainda com um espaço de cinco andares onde é fácil imaginar que se passou para uma dimensão espacial ou para o mundo submarino. Algo a não perder.

Castelo Encantado
Chicagoland é, por excelência, o espaço de diversões a visitar, com todas as sensações que as novas tecnologias permitem experimentar.


Informações úteis
Para entrar no país é necessário apresentar-se passaporte válido e visto.O El, comboio que circula acima do nível terrestre, é o mais rápido e económico modo de transporte entre aeroportos e centro da cidade. Há sempre imensos táxis desejosos de o levarem ao seu destino, embora os preços efectuados sejam muito elevados. A melhor forma de se deslocar em Chicago é a pé: as ruas são planas, fáceis de dominar e é assim que melhor se poderá apreciar a diversidade de interesses que a cidade tem para oferecer.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

As novas 7 maravilhas

Ainda com as imagens da cerimónia que decorreu em Portugal bem frescas na memória, nada melhor do que aproveitar esta rubrica para uma viagem pelos locais escolhidos. São sete e foram eleitas as novas maravilhas do mundo. Dispersas por diferentes pontos do planeta, resultam do génio da humanidade nos últimos dois milénios e prometem inspirar milhares de viajantes.

Jardins Suspensos da Babilónia, Pirâmides de Gizé, Estátua de Zeus no Olimpo, Templo de Artémis em Éfeso, Mausoléu de Halicarnasso, Colosso de Rodes e Farol de Alexandria, eis a lista das sete maravilhas do mundo antigo. Seleccionadas pelo engenheiro grego Philon de Bizâncio ou pelo poeta Antípatro de Sídon (dependendo das versões), destinavam-se a orientar os cidadãos de Atenas na escolha das suas viagens. Hoje, à excepção das Pirâmides, todas estas criações da antiguidade fazem parte apenas dos roteiros de arqueólogos, historiadores ou sonhadores, pois, construídas entre 2500 a.C. e 200 d.C., sucumbiram à passagem do tempo, às guerras e a catástrofes naturais.

Com o objectivo de fazer reviver este velho conceito, a New 7 Wonders Foundation (http://www.new7wonders.com/), criada em 2001 pelo ex-produtor suíço, Bernard Weber, decidiu desafiar o mundo contemporâneo a eleger os mais belos monumentos actualmente visitáveis. Segundo a organização, 90 milhões de pessoas responderam ao apelo e definiram, de forma bem mais democrática que a anterior, sete destinos incontornáveis (as Pirâmides de Gizé conquistaram o título de “maravilha” honorária). Destinados a fascinar não apenas uma elite pouco representativa, mas todos nós.

1 Chichén Itzá – México

É provavelmente a mais grandiosa cidade arqueológica maia conhecida. Localizada no estado mexicano de Iucatã, funcionou como centro político e económico desta civilização, por volta do ano 800.De entre as várias estruturas preservadas – o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas, o Campo de Jogos dos Prisioneiros e a pirâmide de Kukulkan –, destaca-se esta última, pela sua beleza e exuberância. Também chamada de Castelo, possui grandes terraços e escadarias. As que estão voltadas a norte são atravessadas por enormes serpentes esculpidas, que, por altura do equinócio, graças a um particular posicionamento das sombras, parecem mover-se. Um espectáculo que terá contribuído para a sua classificação como Património da Humanidade em 1988.


2 Machu Picchu – Peru

“Would anyone believe what I have found?” (Acreditará alguém no que encontrei?) escrevia o norte-americano Hiram Bingham em 1911. E não era para menos: acabava de descobrir, no Planalto dos Andes a “cidade perdida dos Incas”.Levantada no século XV, mais de 2000 metros acima do nível do mar, sob as ordens de Pachacuti, Machu Picchu surpreende pela forma como as construções de pedra se espraiam sobre o topo estreito da montanha; pela perfeição das suas praças, observatórios e relógios de sol. Era um local considerado mágico pelos Incas, apesar de se desconhecer em concreto a razão da sua fundação. Em 1983 foi classificada Património da Humanidade pela UNESCO.

3 Cristo Redentor – Brasil

Mais do que símbolo da fascinante cidade do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor representa o Brasil e a hospitalidade do seu povo. Situada no alto do Morro do Corcovado, desenhada pelo artista plástico brasileiro Heitor da Silva Costa e realizada pelo escultor francês Paul Landowski, esta estátua de estilo art déco possui cerca de 38 metros de altura e foi inaugurada em 1931.Diz-se que, apesar de a sua construção ter sido promovida pela igreja católica, os brasileiros de todas as religiões sonham em, pelo menos uma vez na vida, subir ao morro a pé, de bicicleta, de carro ou de “trenzinho”. Só para contemplar a “cidade maravilhosa” aos pés do Cristo Redentor.

4 O Grande Coliseu – Itália

Monumento símbolo da cidade de Roma e da grandiosidade do império romano, o Coliseu foi mandado levantar por Vespasianus por volta do ano 70 da era cristã, sobre o antigo palácio de Nero. Construído em mármore, pedra travertina, ladrilho e tufo (pedra calcária com grandes poros), chegou a receber cerca de 90.000 pessoas, influenciando até hoje a estrutura dos grandes estádios desportivos. Com quatro pisos e um perímetro de mais de 500 metros, permaneceu como a sede principal dos espectáculos romanos – martírios cristão e lutas de gladiadores e de feras – até ao tempo do imperador Honorius, no século V. Bastante danificado por uma série de incêndios e terramotos, acabou por ser transformado em fortaleza no século XIII. Ao longo dos séculos XV e XVI, foi por diversas vezes saqueado, perdendo grande parte dos materiais nobres com os quais tinha sido construído, sem prejuízo, no entanto, da imponência da estrutura original.

5 Petra – Jordânia

Cidade perdida durante séculos, após a sua quase destruição por um terramoto no século VI, Petra preserva, como por milagre, um conjunto admirável de anfiteatros, palácios e canais dramaticamente escavados na rocha. Surge como uma aparição, em pleno deserto da Arábia – o Wadi Rum –, a cerca de 200 quilómetros de Amã. Reconhecida como Património da Humanidade desde 1985, a “cidade rosa” foi ocupada por diversos povos, entre os quais os romanos e os gregos. As suas obras “esculpidas” de maior interesse são, no entanto, produto do engenho dos nabatianos (séculos IX a.C./ 40 d.C.).

6 Taj Mahal – Índia
Mausoléu celebrado como a maior prova de amor do mundo, o Taj Mahal fica na pequena cidade de Agra, junto das margens do rio Yamuna. Foi mandado construir em 1630 pelo imperador Shah Jahan, em memória da sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, sendo considerado a maior jóia da arte islâmica na Índia.Levantado em mármore sobre o túmulo da imperatriz, enquadra-se num jardim tipicamente muçulmano e, tanto no interior como no exterior, é incrustado com pedras semipreciosas.A cúpula, lavrada com fios de ouro, faz-se rodear por quatro mais pequenas, num simetrismo e beleza sem paralelo. É património da UNESCO desde 1983.


7 A Grande Muralha – China

Com cerca de 7000 quilómetros de extensão, a Grande Muralha consiste num conjunto de muros e fortalezas defensivas que atravessam os desertos, planícies e vales da China de leste a oeste. Começada a construir há mais de 2000 anos, ao longo de várias dinastias, tem nos seus extremos – a Cabeça do Grande Dragão e a sua cauda – os pontos de maior atracção. Símbolo do espírito nacional, e Património Mundial desde 1987, empregou cerca de trezentos milhões de metros cúbicos de material e a força de mais de um milhão de homens na sua edificação.www.travelchinaguide.com/china_great_wall/


Texto de Sara Raquel Silva e fotos de Getty Images

domingo, 15 de julho de 2007

Mundos Sonhados - Bazaruto

Aproveitando os recentes artigos sobre Moçambique, e em particular a sua capital Lourenço Marques/Maputo, resolvemos que a honra da primeira sugestão dos "Mundos Sonhados" caberia a Bazaruto, esse lugar que encarna o Eden na Terra. Terra de contrastes, Moçambique mostra-nos o melhor e o mais terrível de África. Paraísos naturais são o pano de fundo de um país que, apesar das situações de carência, é um destino turístico cada vez mais em alta.

O arquipélago de Bazaruto é constituído por cinco ilhas, ao largo da provincia de Inhambane, setecentos quilómetros a norte de Lourenço Marques. Benguerua (antiga ilha de Santo António), Magaruque, Bangué e Santa Carolina, também conhecida como Ilha Paraíso, além da própria ilha que deu o nome ao arquipélago, estiveram ligadas ao continente até há cerca de 800 mil anos. A sua fauna e flora riquíssimas, que se manteve praticamente inalterada desde a separação, levou a que fosse classificado como Parque Nacional em 1971. É actualmente supervisionado pelo World Wildlife Fund for Nature que, juntamente com a South African Nature Foundation e o Endangered Wildlife Trust, também o financia. As cerca de 180 espécies de pássaros, as seis espécies diferentes de embondeiros, os crocodilos nos lagos de água salgada e as tartarugas justificam a intervenção destas organizações ambientalistas que estão também a ajudar na preparação da candidatura do arquipélago à classificação de Património Mundial.

Rodeada de azul, a ilha de Bazaruto, apesar de selvagem, transmite uma paz sem fim. Tal como o oceano envolvente, onde apetece mergulhar até à eternidade. Existem lugares que oferecem grandes perigos ao viajante. Distintos daqueles que surgem nos cabeçalhos dos jornais ou abrem os noticiários, mas não menos fatais. Bazaruto é mesmo um dos mais ousados. O risco que se corre ao visitar essa ilha abençoada é o súbito desejo de permanência, doença de que resultam imprevisíveis sintomas e efeitos secundários. O mais radical leva a que, num assomo de coragem, se abandone a civilização. O mais suave implica prolongados estados de melancolia e um sentimento crónico muito próprio das gentes lusas: saudade vitalícia.
Os 15 minutos de vôo que separam Moçambique do arquipélago são suficientes para uma transformação radical na paisagem. A África cor de terra desaparece, dando lugar a um azul indescritível e a um verde translúcido, vestidos pelo Índico consoante a profundidade das suas águas, dos corais que esconde ou dos bancos de areia que deixa descobrir. E é sem dúvida um novo mundo aquele que se descobre. Longe do turismo de massas e do cimento armado, com praias desertas e noites de silêncio estrelado, tendo por abrigo um céu maior que o mundo.

Todo o arquipélago de Bazaruto está classificado como Parque Nacional, usufruindo por isso de protecção especial pelas organizações World Wildlife Fund, Endangered Wildlife Trust e pelo governo moçambicano, que apenas permite a construção de dois resorts por ilha.

Comecemos pelo mais antigo, o Bazaruto Lodge, a operar desde há 13 anos na ponta Norte, tendo como máxima a valorização da simplicidade. Toda a estrutura – pouco mais de uma dezena de bungalows em madeira e colmo – enquadra-se bem na paisagem natural. Estrategicamente colocadas sobre as areias brancas com vista para o mar a perder-se no horizonte, as construções rústicas não dispõem de televisão, telefone, rádio ou outras mordomias menos condicentes com o ambiente selvagem da ilha. O objectivo é levar o viajante a abstrair-se dos hábitos diários e partilhar do melhor que a ilha tem para oferecer: as maravilhas de uma natureza selvagem, gastronomia simples, mas delicada e saborosa, à base de marisco e peixe fresco, e muita simpatia. É um 4 estrelas, com o "savoir faire" do grupo Pestana.
Seguindo uma política de implantação ecológica, mas substancialmente mais luxuosa e sofisticada, encontramos mais a Sul o Indigo Bay, constituído por cerca de vinte quartos em habitações normais e outros tantos bungalows debruçados sobre o mar. Dispostos entre a praia e um relvado colorido por magníficas buganvílias, estão equipados com ar condicionado, TV cabo, telefone, minibar e uma ampla varanda com vista diária para o pôr-do-sol. Apesar das diferenças, ambos os resorts oferecem na hora de adormecer o doce desmaio do Índico sobre a areia e, pela manhã, o chilrear estridente da passarada, escrupulosa na sua função de despertador matinal.

O descanso aqui é rei, principalmente porque o dia convida a inúmeras actividades que, se não permitem um momento de tédio, exigem boa forma e dão origem a um apetite devorador, saciado com mestria pelos chefes de cozinha em colaboração com o mar generoso de onde provém o peixinho e o marisco que fazem as nossas delícias. Mergulho, snorkelling, passeios a cavalo (estes só no Indigo Bay), de jipe, aulas de pesca, piqueniques na praia, no mar, sobre as dunas, na iminência de um pôr-de-sol inesquecível, ou mesmo encontros com crocodilos são comezinhas distracções do quotidiano. Percursos e experiências que, em momento algum, se assemelham a excursões barulhentas, mas sim a momentos de descoberta em convivência silenciosa com a cúmplice natureza, aqui na ilha parceira a tempo inteiro.

Resulta deste estatuto que Bazaruto, apesar constituir um dos lugares mais cobiçados pelos amantes da natureza e da boa vida, mantenha a beleza da sua paisagem natural intacta, ao longo dos seus 40 quilómetros de comprimento, e permita aos habitantes nativos preservar a sua cultura ancestral. São pouco mais de seis centenas (não chegam a 2500 em todo o arquipélago), provavelmente descendentes da tribo de pescadores Matsonga. Ainda hoje vivem do que conseguem retirar do mar, atravessando-o com redes, mesmo junto à praia, ou em pequenos dohws (embarcações típicas, movidas à vela e a vara) em busca de pesca mais grossa, como o marlim e o serra. Habitam em pequenas palhotas, mais ou menos próximas do mar, formando aldeias conhecidas pelo nome do chefe que lhes dita as leis. Vivem em outros tempo e ritmo. É tão provável que um dia, ao passar por perto, tentem comunicar consigo, como nem repararem na sua presença, permanecendo imóveis e absortos nos seus pensamentos. Na realidade, já assistem à chegada e à partida de forasteiros desde o tempo em que os árabes se serviam destas paragens para transaccionar marfim, pérolas e presas de rinoceronte.

À noite, faltando locais para onde ir, resta descansar (o dia começa e acaba muito cedo), ou então entabular conversa com os espíritos noctívagos que acabam, inevitavelmente, no bar dos resorts.

Onde dormir e comer
• Indigo Bay - Arquipélago de Bazaruto, Tel.: 00 258 23 91500/8, fax: 91510; http://www.indigobayonline.com/; Reservas pelo E-mail: mailto:reservations@raniafrica.co.zaou pelo tel.: 00 258 1 301618 (Maputo). Resort de luxo com 50 quartos (incluindo 24 chalets na praia e duas suites). Preços em quarto duplo standard, em regime de meia pensão, incluindo transferes no avião da Rani (capacidade: oito pessoas) a partir de 143 USD/por pessoa e por noite.
• Bazaruto Lodge – Não dispõe de telefone, pelo que as reservas devem ser feitas através do Rovuma Hotel em Maputo, pelo tel.: 00 258 1 305000 ou em Portugal através do 808252252, http://www.pestana.com/. Bungalows a partir de 232 USD (pensão completa).
Passeios
Os resorts organizam passeios de jipe e barco, actividades como mergulho snorkelling, pesca ou passeios ao pôr-do-sol no mar e nas dunas. O Indigo Bay proporciona ainda passeios a cavalo, óptimos para quem gosta de observar aves, e visitas à pequena ilha de Santa Carolina. Outra actividade inovadora consiste nos safaris marinhos, tendo o viajante todas as probabilidades de observar baleias, golfinhos, dugongos, espécie em via de extinção, e, quem sabe, tartarugas. É também possível ir até às ilhas de Magaruque e Benguerra mediante pedido prévio.
Para mais informações
Consulado de Moçambique em Portugal: Av. de Berna, 7, 1050-036 Lisboa, Tel. 217961672, 217973513, 217972734, 217972654Consulado de Portugal em Maputo: Av. Mao Tsé Tung, nº 519, Maputo, Tel.: 002581) 490150/ 1/

ps: Este artigo é dedicado à Ana Pedro, o rebento, nascido a 13 deste mês, do Pedro. Que a vida dela faça jus ao nome da rubrica, Mundos Sonhados. Tudo de bom, cachopa, e que tenhas melhor gosto clubista que o teu progenitor.