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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Toronto - slideshow

Depois do belo artigo do Mauricio, trazendo-nos na 1ª pessoa a vivência numa metrópole imensa e cheia de charme, fica aqui o complemento, para quem gostou e quer "passear" mais um pouco por lá. Espero que apreciem a viagem.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Visitando Lourenço Marques


Continuando o nosso périplo pela capital moçambicana, outro local que merece uma visita demorada, é a Estação de Caminhos de Ferro, testemunha perene dos tempos áureos. O edifício, construído em 1910, teve uma assinatura que fez furor: Eiffel. As suas estruturas de ferro e os pilares em mármore permanecem, teimosamente, intactos. O interior exibe duas locomotivas a vapor originais. É nesta estação que partem os comboios para a fronteira do Zimbabwe, antiga Rodésia, e as cidades sul-africanas de Durban e Joanesburgo.

Importa reter algo que tenho esquecido de mencionar. Uma mera curiosidade. A cidade, baptizada de Lourenço Marques, deveu o seu nome ao primeiro navegador português a fazer o reconhecimento da região. Até finais do século XIX , a zona não passava de um mísero porto, disputado pela sua elevada localização estratégica por austríacos e ingleses. Quando, em 1898, se
descobre ouro em Wiiwatersrand e são estabelecidas ligações ferroviárias com a África do Sul, é que se transformou no entreposto mais movimentado da colónia, acabando por substituir a capital, até aí instalada na Ilha de Moçambique.

Voltando ao passeio, depois deste preâmbulo, nada melhor do que determo-nos no mais afamado restaurante da cidade, o Piri-piri, cujos churrascos se tornaram míticos. Aproveite para relaxar, observar quem passa, deixar os sentidos livres, para que estes possam absorver o máximo da atmosfera citadina. E é bom ver que, apesar de um colonialismo que deixou marcas, não existe vontade de renegar o passado. Perfeitamente integrados no quotidianos dos seus habitantes, mas longe de ostentarem o charme de outrora, restaurantes e pastelarias, cujos nomes se mantêm há décadas, continuam nos lugares de sempre. A pastelaria Continental, onde era hábito as colegiais pararem, depois de um dia de aulas (agradeço à minha mãe a paciência em recordar nomes, locais e pormenores), o Hotel Cardoso, com a sua fantástica vista sobre a Baía, ou o café-restaurante Costa do Sol, um dos mais antigos e emblemáticos pontos de encontro. Abriu portas em 1938, resistindo a todas as alterações políticas, à guerra civil e a restrições financeiras. Orgulhosamente, continua a apregoar a confecção do melhor camarão grelhado de…África (já estou a salivar).



Se juntarmos uma pratada desse petisco divinal a uma Laurentina (a mais popular cerveja de Moçambique) está meio caminho andado para a felicidade suprema.

Maputo tem também uma diversão nocturna afamada e diversificada. Vários bares e discotecas, onde prevalece a atmosfera e a música africana.

Não perca uma visita a um local que resume a diversidade de Maputo: a Feira Popular. É um legado dos tempos do colonialismo, atraindo sempre multidões desejosas de diversão e de…boa comida. Sim, os restaurantes são o principal chamariz da Feira, em detrimento dos carrosséis, algo periclitantes e em condições de segurança que deixam algo a desejar. E, se juntarmos aos aromas, uma boa marrabenta (dança de par muito lenta), então percebe-se o sucesso da Feira.

Como se deslocar

O conselho é óbvio: em excursões organizadas pelo hotel ou agência de viagem. Caso estas não existam, de táxi. A outra opção não é muito recomendável. Apesar de como disse acima, Maputo ser uma cidade relativamente tranquila, não abuse da sorte. Os “chapas”, o transporte público da capital moçambicana, são carrinhas de caixa aberta, que transportam o maior número de pessoas. Célebres por dois motivos: os numerosos acidentes que provocam, pelas elevadas velocidades a que circulam, e pelos furtos frequentes dos turistas que, ávidos de emoções fortes, nelas circulam. Se o fizer, por sua conta e risco, não leve nada nos bolsos, nem nada à vista ostensivamente caro, como por exemplo, máquinas fotográficas, câmaras de vídeo, etc.

INFORMAÇÕES ÚTEIS

Documentos necessários: Passaporte e visto de entrada, que pode ser pedido no consulado moçambicano em Portugal com o mínimo de cinco dias de antecedência (100 euros) ou no aeroporto à chegada a Maputo, na Direcção Nacional de Migração, por cerca de metade do preço, embora possa demorar algumas horas. Se pretender passar a fronteira até África do Sul ou Zimbabwe não se esqueça de pedir visto múltiplo.

Moeda: Metical, mas o dólar americano e o rand sul-africano são aceites em muitos locais. É recomendável que se leve dinheiro, uma vez que a utilização do cartão de crédito ainda não está vulgarizada.Câmbio: Um dólar equivale a 23 ou 24 meticais. Consoante o local.

Indicativo: 00 258 (Moçambique) + indicativo da cidade ou província, ou seja, 1 no caso de Maputo, 23 quando se telefona para Bazaruto e 72 para Pemba. As linhas em Moçambique estão congestionadas com frequência , pelo que se aconselha a utilização dos serviços da operadora internacional. O número é o 171 da Portugal Telecom.

Diferença horária: Mais duas horas do que em Portugal Continental.

Clima: Tropical, moderado a Sul. As temperaturas variam entre os 16º (mínimo) no Inverno a Sul e os 40º (máximo) no Verão a Norte.

Saúde: Antes de partir deverá marcar consulta com o seu médico de família ou mesmo fazer uma consulta do viajante, a fim de proceder à profilaxia da malária, doença grave e muito comum em Moçambique. Também deve ter as vacinas do tétano e da febre tifóide em dia e levar consigo spray antimosquitos e protector solar. Para evitar diarreias só deve beber água engarrafada, fruta descascada e evitar alimentos crus.

Quando ir: É preferível viajar fora da estação das chuvas, que se prolonga entre os meses de Novembro a Abril.TransportesA rede de transportes aéreos é razoável, mesmo dentro do país, se bem que dispendiosa. Os transportes ferroviários não dispõem ainda de uma estrutura credível e se optar por alugar automóvel deve ter em atenção a condição das estradas, as condições climatéricas e a existência de postos de combustível ao longo do caminho que pretende tomar. Deve transportar sempre água, alimentos, uma caixa de primeiros socorros e ter em atenção que a rede de estradas é muito irregular, principalmente no Norte.O transporte rodoviário urbano e interurbano está na maioria dos casos entregue a operadores semiprivados, sendo bastante demorado nos percursos mais longos.

Aluguer de viaturas: EuropCar (sr. Manuel Nunes) – reservas pelos telefones 00 258 1 466172/466182; 00 258 1497338 ou 00 258 82302833 (telemóvel); E-mail: europcar@virconn.com

Onde dormir• Hotel Polana, Av. Julius Nyerere, 1380, P.O. Box 1151 Maputo, Tel.: 00 258 1 491001/9, Fax: 00 258 1 491480; E-mail: res@polana-hotel.com.mz; http://www.polana-hotel.co.mz/.

Onde e o que comprar:Um dos melhores locais para comprar artesanato é a Praça 25 de Junho aos sábados de manhã, especialmente batiks e esculturas. Os melhores produtos frescos são encontrados no Bazar, na Av. 25 de Setembro, em frente do qual se encontra a casa Elefante, com uma variedade considerável de capulanas e tecidos tradicionais. No Centro Comercial Polana existe uma loja especializada em artesanato mais sofisticado e uma livraria onde poderá encontrar alguma literatura sobre Moçambique.

domingo, 10 de junho de 2007

Às compras

Fantástica, surpreendente, um ícone, a mais emblemática do Marrocos, encantada, encantadora, atraente, exótica...

Tudo serve para adjectivar Marraquexe. A cidade fundada no século XI fascina por tudo: pelas cores, pelos sabores, odores, pelo povo, pelos sons, pelos contrastes, pelo exotismo, pela arquitectura, pelo branco de neve, que paira, de forma diáfana, no horizonte, no pico das Montanhas do Alto Atlas.

Saindo da praça já apresentada no post anterior, deixe-se perder pelos souks, com a sua panóplia de produtos expostos, onde milhares de lojas e tendas vendem literalmente quase tudo. Lá, regatear é uma arte sublimada por décadas de experiência. E que arte. Caso não saiba, obedece a uma forma padronizada. Ela se desenvolve segundo regras de comportamento e percepção, bem mais complexas do que aquilo que imaginamos. Não se assuste com a insistência dos vendedores, com o facto de um tentar falar mais alto do que outro, pois nos souks, a sobrevivência do comerciante depende disso: de ser visto. Lembre-se apenas que está noutro País, onde gestos mais efusivos não significam o mesmo na nossa cultura. Se, pura e simplesmente, não quiser comprar mesmo nada, diga firmemente: “la shukran” (não obrigado).


Não deixe de viver esta experiência, que é uma das mais fascinantes que se pode ter em Marrocos. Um conselho: experimente o tradicional chá de menta, ou, se for mulher, deixe-se seduzir pelas tatuagens de hena (pintura corporal usada em tatuagens não permanentes, feita a partir da tinta extraída das folhas da planta com o mesmo nome).

Novo conselho: antes de entrar nos souks, sente-se numa das esplanadas circundantes à Praça Jemma El Fna. Assista, num local privilegiado ao mundo fervilhante que se estende à sua frente. Vendem-se comidas (Fritos, coração de vaca…), couros, blusões, pulseiras, pão, caracóis, especiarias, frutos secos, chã, tapetes, etc.
É um mercado amplo com espectáculos ao vivo, saltimbancos, ginastas, acrobatas, domadores de cobras ao som da flauta, macacos a posar para a fotografia, pessoas a tirar dentes na rua, outras a vender e matar galinhas, passeios a cavalo de Kalesh, sapateiros e engraxadores, talhos ambulantes, enfim uma outra dimensão, a que não estamos habituados.